sábado, 20 de outubro de 2007
A Missao
E a partir da longinqua cidade de Ghat, no coracao do Sahara, a milhares de kms do quer que seja que vos escrevo, com dificuldade. Como grandes atractivos, esta cidade apresenta um duche e este computador, mais lento que o Cardozo.
No que diz respeito a venda deste blog aos investidores libios nao vou adiantar mais nada para nao prejudicar as negociacoes. Mas garanto-vos que nao vim aqui em vao!
Tal como Alvares Cabral levou o cristianismo aos selvagens do Brasil, aqui O 7 Maldito trouxe o Sportinguismo a estes bons nomadas do deserto.
Assim sendo, anuncio em primeira mao a abertura da Casa do Sporting do Sahara, congregando adeptos de Ghadames, Al-Aweinat, Ghat e Sebha. A sede e nomada, claro. Estou a assistir a uma vaga de fundo extraordinaria. Neste momento ja se inscreveram 6 touaregs, 4 beduinos e 2 berberes, radiantes pois o verde e a cor oficial do pais.
No entanto, tres dias depois vieram ter comigo e confessaram-me que sem adeptos adversarios para discutir nao tem tanta piada. Concordei. E ajudei-os a inaugurar a casa do Benfica do Sahara. Esta tambem a ser um enorme sucesso, a escala benfiquista. Ate a esta hora, ja se tinham inscrito 4 camelos, 3 dromedarios e um escaravelho das areias.
Um abraco para todos. Amanha desapareco para mais uma semana no deserto. A proposito, neste pais onde o alcool e proibido nao imaginam o que eu dava por uma cervejinha...se alguem ma vier aqui entregar (pode ser morna), dou 100 euros. Juro!
Aleikoum Salaam!
sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Blackout
Eu sei que não parece, mas o Impróprio é feito por gente séria, com valores, princípios e uma escrupulosa conduta ética. Ora é por isso mesmo que acabo de decidir, num democrático sufrágio individual, que iremos entrar em blackout. Apesar de não estar cá, sei que o meu sócio me acompanharia a 100% nesta decisão e que a aplaudirá quando regressar do Harém de Kadhafi.
Recusamo-nos a emitir qualquer tipo de comentário a uma competição que se denomina Carlsberg Cup. Associar a prática de desporto ao consumo de bebidas alcoólicas, é algo que a nossa SAD considera intolerável e deplorável. Lamentamos que os dirigentes desportivos continuem a dar aos nossos jovens, estes maus exemplos e esta péssima imagem do futebol português. O nome “Carlsberg Cup” é de muito mau tom e, como tal, apelo para que todos os adeptos de futebol apoiem o Impróprio no boicote a esta competição.
Um dia que os dirigentes da Liga e Federação tenham a dignidade, e talvez sobriedade, para mudar o nome a esta competição, o Impróprio voltará a comentar a Taça da Liga.
Para que fique claro que esta é uma crítica construtiva, deixo uma ideia de um nome alternativo para a competição e que, ao contrário do actual, ergueria da melhor forma a bandeira dos elevados valores humanos e morais, inerentes à prática desportiva:
"Super Bock Cup"
Ao menos uma vez na vida, sejamos sérios senhores!
(Rapaziada, se não ganharmos o prémio com esta é porque aquilo está mais cozinhado que o sorteio de árbitros do Pinto de Sousa)
quinta-feira, 18 de outubro de 2007
O campino gaúcho
Já o seu sorriso é o de um bom português: simpático, humilde e verdadeiro, exactamente o oposto do Sr. Eng. (ou talvez não) Sócrates que tem um sorriso mais amarelo que uma fotografia de família do Yu Dabao.
Depois não há dúvidas, pelo menos para mim, que o Mister Murtosa tem sangue Ribatejano a cavalgar-lhe as veias. Uma pessoa olha para ele e é inevitável imaginá-lo vestido de campino. Está a imaginar? É ou não é um verdadeiro campino ribatejano? Parece que já estou a ver este pequeno D’Artagnan das Lezírias a galopar por aqueles campos fora, a picar toiros azeris e cazaques, acompanhado pelos seus 3 mosqueteiros de puro sangue lusitano: Deco, Pepe e, claro, o Makukula.
Creio que há também muito sangue Alentejano a correr nas suas veias, o que a ser verdade não estará a correr, mas sim a circular pausada e calmamente. Acredito que o Murtosa também é um pouco alentejano porque quando o filmaram no banco de Portugal, pareceu-me que ele estava ali com um sentimento de pertença que só tinha visto naqueles velhotes alentejanos que estão sentados nos bancos das suas terras. Havia ali qualquer coisa que dizia: “Daqui não saio, daqui ninguém me tira”.
Há também algo tradicionalmente Tuga em Flávio Murtosa. Quando Makukula faz o 1º golo o Mister é o 1º a saltar do banco a festejar, no que me pareceu ser um novo estilo folclórico que mistura 2 ou 3 passinhos do bailinho da madeira com o exigente corridinho algarvio. Absolutamente notável e aplaudível!
Creio que se tivesse sido o Murtosa a dar o soco ao sérvio, obviamente não tinha falhado e o castigo tinha sido uns 330 jogos de suspensão. Ao contrario do Scolari que soca como um transexual, de certeza que o Murtosa soca como um transmontano.
Baseado no que Fernando Pessoa escreveu sobre o profeta Bandarra, o Mourinho da Restauração de 1640, despeço-me fazendo esta pequena ode ao nosso conquistador do apuramento para o Europeu:
Se o Scolari diz que é português, então o Murtosa já pode dizer que é Portugal.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Mais um excêntrico em Portugal!
Mas então quem é o excêntrico, deverão estar a perguntar os benfiquistas, já que os mariquinhas dos sportinguistas largaram o post no final do último parágrafo, para ligarem às mulheres a perguntarem onde estão e dizer que as amam muito, muito, muito. Estimados familiares benfiquistas, devo dizer-vos que o excêntrico da semana é precisamente o nosso rival Sporting. Se ainda não tinha escrito é porque recuperava desta notícia. Vezes sem conta, confirmei a data no cabeçalho dos “desportivos” para ver se não datava o 1 de Abril. Não, não era. As manchetes foram bem claras : ”Villareal oferece 15 milhões por Djaló”. Assustadíssimo, repousei ao ler os subtítulos da mesma notícia: “Sporting recusa a oferta”. Não queria crer. Nem num, nem noutro. Como é que algum clube (incluindo os da Arábia Saudita e Koweit) pode oferecer 15 milhões por mais um coxo formado nas escolas do Sportén? Como jogador de futebol , admito que o rapaz tem dois talentos: é rápido e conseguiu inventar um novo conceito de futebolista, a margem de regressão. Normalmente diz-se que os jogadores jovens têm uma margem de progressão, mas este – que até nem começou mal – tem regredido a uma velocidade que atrás elogiei. O rapaz nem é mau, é péssimo. Está ao nível dos últimos grandes avançados do Sportén: Nalitzis, Koke, Motta, Alecs e até o Purovic, entre muitos outros.
Agora, como se este acto de gestão irresponsável e terrorista não bastasse, sucede-lhe outro. Os dirigentes leoninos recusaram esta oportunidade única, para embrulhar e despachar mais um produto defeituoso das suas escolas. Custa ainda mais compreender esta situação, quando a venda de jovens jogadores tem sido, precisamente, a única vertente futebolística onde até ganham qualquer coisa. 15 milhões pelo Djaló é um negócio irrecusável, mesmo que se tratem de 15 milhões de feijões, o valor actual da sua clausúla de rescisão e já considerado inflacionado pelo Chefe Vítor Sobral. Esta exagerada quantia, já dava para alimentar muitos meninos infelizes de Alcochete, e que até podem vir a ter algum talento que lhes servirá de passaporte para um novo clube, e assim, para uma vida mais feliz e gratificante. De certeza que o meu estimado sócio 7 Maldito arranja mais depressa uma proposta para vendermos o blogue por esse valor, do que o Sportén voltará a ter uma proposta semelhante para o Djaló. Se ainda fosse uma Super Bock fresquinha (desculpem lá mas a vida está bera e o prémio vinha mesmo, mesmo a calhar), eu ainda compreendia que os dirigentes recusassem. Assim, deve ser porque já lhes saíu o Euromilhões, com aquelas compras e vendas que começam agora a ser investigadas pelas autoridades. Começa a revelar-se que andam por Alvalade alguns excêntricos que em breve poderão ir fazer férias num dos locais que o Vale e Azevedo melhor conhece: o Estabelecimento Prisional do Linhó.
Só tenho pena que, ao contrário do que parece, o Kadahfi não seja dirigente do Sporting. É que são ainda mais excêntricos a fazer negócios do que os do Villareal!
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Vou ali e já venho
Mas a verdade dura e crua como um falhanço do Cardozo, é que nada disto aconteceu. Eu e o Homem da Luz investimos neste projecto as economias de uma vida. Eu tive que comprar um portátil que me custou algumas três épocas de imperiais e bifanas. Cheguei mesmo a emigrar para Londres durante um fim-de-semana para conseguir financiar um blogue que, vejo agora, dá mais prejuízo que a SAD do FCP. Confirmámos da forma mais dolorosa que de facto Portugal não sabe reconhecer, e muito menos pagar, os seus talentos. A emigração apresenta-se como a única saída.
Desesperado, vejo-me na obrigação de fazer como o Manuel José e o Nelo Vingada e rumar às arábias. Assim sendo, nas próximas duas semanas estarei afastado do blog. Um empresário amigo que não quer ser identificado recomendou-me uma viagem até à Grande Jamayria Árabe Popular Socialista, vulgarmente conhecida como Líbia. Diz que lá o Impróprio tem mercado. Assim sendo, tenho avião marcado já para este fim-de-semana. Uma vez lá chegado, depois de me perder no Sahara profundo nuns dias de férias, espero vir a encontrar-me com a família Kadhafi, confessos amantes do desporto-rei (se bem se lembram, o filho até já “jogou” no Perugia, e são um dos maiores accionistas da Juventus), e como tal capazes de reconhecer o devido valor deste “blogue-rei”. Deles, não espero menos que uma avalanche de petrodólares directa às nossas contas bancárias.
Nestes 15 dias estarei totalmente desligado do mundo, sem net, telefone, água canalizada ou sequer electricidade (não, não vou para casa do Petit). Mas se olharem para o calendário futebolístico, a ocasião não podia ser melhor. Até à data do meu regresso só há jogos da Selecção e, no caso do meu Sporting, um “joguinho” para a Champions em Roma, que certamente não será bonito de comentar… Nada acontece por acaso, meus amigos!
Nestes 15 dias o Homem da Luz ver-se-á obrigado, tal como Afonso Martins há uns anos, a jogar sozinho contra a parede. Sem o Princípio do Contraditório poderá recriar-se sozinho com o esférico e bater recordes de toques como se estivesse no pontão da Costa da Caparica.
Prometo voltar em força, assim o queira Alá.
Aproveitem bem estes dias, porque eu – com a vossa licença – vou ali e já venho.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Para a História
Claro que não amigo Vlad. Não te preocupes mais com isso, pá. Quem errou foi quem te contratou e quem te põe a jogar, mas isso são outros trezentos.
Eu, que sou um apaixonado pela História e seu estudioso nas horas vagas (todas aquelas em que não estou a ver futebol), rebusquei nos meus canhanhos (……pausa para irem ao dicionário……), consultei uns fascículos da Planeta Agostini e encontrei uma série de declarações históricas na mesma linha. Verdades que o tempo veio a provar indesmentíveis, e que agora partilho convosco. Alguns segundos para o Prof. José Hermano Saraiva que há em mim:
“Não há soldados americanos em Bagdad” – Ministro Iraquiano da Informação
“Não faço ideia onde é a Sibéria” – Josef Estaline
“Não conheço nenhuma menina Lewinsky” – Bill Clinton
"Não tenho dúvidas e raramente me engano" - Prof. Aníbal Cavaco Silva
“Não conheço ninguém na Bragaparques” – Carmona Rodrigues
“Não tenho nada a ver com o Futebol Clube do Porto” – José Veiga
“Não troquei favores sexuais por tacinhas de Magos” – Carolina Salgado
“Não bebo” – Manuel Vilarinho
“Não bebo” – Eusébio
“Não bebo” – D. Alcina, 78 anos, funcionária administrativa do SLB
"Não sou coxo" - Pedro Mantorras
“Não me dopei” – Nuno Assis
"Não me cheira" - Claudio Cannigia
"Não vi" - Pedro Henriques
"Não falho" - Óscar Cardozo
“Não sou homem” – Leonor Pinhão
“Não gostamos de Sagres. Só bebemos Super Bock” – Editores do Impróprio para Cardíacos, sempre, mas sempre a trabalhar para o prémio.
Arquive-se este post e guarde-se na Torre do Tombo, para memória futura.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Os Marqueses de Sade
Mas voltemos ao lance caricato (no mínimo) e surrealista (no máximo) que aos 60m de jogo, empurrou o Sportén para o 1º golo, e consequentemente para a vitória. Se na 1ª parte o Sportén fez o 1º e único remate aos 43m, na 2ª parte só com a ajuda do árbitro aos 60m, o Sportén consegue chegar à baliza do Guimarães, que segundo as crónicas de todos os jornais dominava em absoluto a partida. As imagens já todos vimos, mas muito melhor foram as declarações de todos os sectores leoninos apelidando o caso de “duvidoso”. Hilariante? Não, eu próprio quando vi as imagens também fiquei com bastantes dúvidas. Fiquei com dúvidas se o árbitro foi corrumpido, ou se por outro lado, foi comprado. Não sei, é duvidoso. Fiquei com dúvidas se aquilo era luta greco-romana (eu sempre desconfiei que os sportinguistas jogam de maiô, na volta também é rosa!) ou um ritual montenegrino para agarrar porcos. Não sei, é duvidoso. Fiquei com dúvidas por constatar que depois dos 2 últimos jogos no Batatoon XXI - 1º um penalty claríssimo a favor do Setúbal e depois com este lance - se os sportinguistas são os cruzados da verdade desportiva ou os talibans do futebol. É claro que as respostas a estas perguntas já todos sabemos, porque vemos esta vitimização há mais de 10 anos. Às vezes, admito que dá pena, dá mesmo muita pena. É que eles interiorizam isto de tal maneira que chega a parecer acreditarem mesmo que são perseguidos. Ora eu, como tenho bons amigos do Sportén, custa-me ver um amigo enlouquecer por razões que se afastem em demasia de um excelente par de mamas. Estou até convencido que em grupo, os sportinguistas acreditam que comparado com o que os árbitros lhes fazem ou fizeram, o Holocausto não foi nada. E isto não sou eu a exagerar, são palavras do Paulo Bento que em conferência de imprensa após o jogo, onde confirmou já ter visto o lance na tv e disse que na opinião dele o lance era duvidoso e que ainda assim as arbitragens lhe estavam “credoras” (a palavra é dele), isto é, a dever penaltys. Esta última frase é a minha preferida, porque confirma que há aqui negociata – a palavra credora não deixa dúvidas- e que a honestidade desportiva leonina está ao nível da dos famosos gémeos Calheiros. Eu não sou médico, mas parece-me doentio que um treinador de uma equipa depois de ter sido claramente beneficiado, venha no final do jogo se fazer de vítima e pedir “Só mais um penaltyzinho, vá lá, só mais um, vá lá, é o último! Olha que eu choro e berro em directo!! Olha que eu sou doente dos nervos!!!”
Por outro lado, quando no final do jogo em Leiria -em que o árbitro e comparsas tudo fizeram para o Benfica não ganhar - pediram ao Rui Costa para ele comentar a arbitragem. O Maestro que é filho de gente humilde e faz parte das escolas do clube dos bêbados, taxistas e arruaceiros, disse: “Se não falei sobre o jogo da Amadora, também não vou falar sobre este.” Ora aqui está algo que tem menos raizes em Alvalade do que o próprio relvado, chama-se coerência e dignidade. Infelizmente, e ao contrário do Doutoramento e Mestrado em Vitimização Histérica, parece que estas duas disciplinas não se ensinam - e muito menos se praticam- na Escola de Alcochete. É pena, porque são valores fundamentais no desporto e que poderiam evitar a comparação dos sportinguistas com aquele arquétipo da infância de todos nós: o menino rico e mimado, dono da única bola de futebol para a malta jogar, que com mau perder impunha regras novas a cada 5m e quando perdia ia amuado para casa a chorar e, na maioria das vezes, ridicularizado com gozo pelas restantes crianças.
Como diria o professor Marcelo destes meninos:
“20 valores em vitimização, 0 valores em comportamento. Vão ter de levar tau-tau.”
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Amor e uma cabana sem SportTV
Nestas coisas de fins-de-semana compridos, os elementos do casal têm regra geral abordagens diametrialmente opostas (repararam como em apenas um parágrafo passámos do romance piroso “à lá” Margarida Rebelo Pinto para a física quântica “à lá” Steven Hawkins? É com estas fintas de corpo literárias que pretendemos ganhar o prémio da Super Bock, meus amigos!).
Retomando: se eu já contava ir a Alvalade no sábado à noite ver o jogo com o Vitória de Guimarães, antecedido de uma 6ª feira inteira de estágio (com tempo para ler todos os jornais desportivos, todos os sites desportivos, a FHM, a Maxmen e a GQ), e seguido de uma opípara jantarada com a rapaziada, a minha senhora tinha outras ideias:
“E se fôssemos para um Turismo de Habitação no Alentejo, só nós dois? Os miúdos ficam com a minha irmã, e a tua mãe...podemos deixá-la no Vasco da Gama e apanhamo-la no Domingo...” – sugeriu
“Este mês não dá jeito...ainda estamos a pagar à Cofidis a semana de Agosto em Quarteira e o fervedor de biberões” – respondi assustado
“Eu tenho umas economias” – contra-atacou, letal
“...hmmm...a carrinha não tem a inspecção feita!” – disparei, julgando-me safo
“Já combinei com a minha prima Célia e ela empresta-nos o Seat do Ruben” – bola para um lado, eu para o outro.
Assim fui inapelavelmente batido, e quando dei por mim já estava algures no Alentejo profundo, no Seat do Ruben, para lá de Beja, rodeado de vacas e aves barulhentas, sem rede, sem net e sem SportTV. E um homem sem SportTV é como o Chalana sem os seus pombos…
Por entre muito passeio – ai tanta planície verde e ninguém a jogar à bola... – tive que engendrar um esquema para conseguir ver ao menos o meu Sporting. De Beja, pouco mais conhecia além da Carla Matadinho (tudo começou com um mail intitulado “Viva Beja!”, lembram-se?), até que ao passarmos perto do castelo, enquanto a patroa se demorava nas bancas de frutas e verduras, vi o restaurante D. Dinis, já referenciado por um olheiro das lides gastronómicas. Entrei e depressa constatei que estavam abertos à noite e que – é nestas alturas que acredito em Deus - tinham todo o software e hardware necessário para matar a minha fome de bola. Sem entrar em grandes detalhes, comuniquei à minha cara-metade que já tínhamos mesa marcada no tal restaurante de que nos falaram. 20h30 – vá-se lá saber porquê – era “a única hora em que tinham mesa para nós”.
Horas depois, já no restaurante, o “sistema” começou a fazer-se sentir. 20h20 e a TV ainda no noticiário da SIC. 20h26 idem. 20h30 mudam finalmente de canal...para a TVI. Chamo o empregado. “Sabe amigo, é que vim aqui mesmo de propósito para...”. Volta à caixa, troca umas graçolas com o colega, olham para mim, e nada. Faço-lhe sinal ao longe. Nada. Finalmente lá se digna a pôr no jogo. Eram 20h40 e já se jogava à dez minutos. A sala cheia de comensais nem levanta os olhos das migas. Era óbvio que estava em terreno hostil. Os poucos que espreitam o jogo começam com piadas ao relvado. O Yannick é titular. O Stojkovic ainda caminha pelos seus próprios meios. Nada corre bem.
A primeira parte foi altamente indigesta. Felizmente já estava meio anestesiado por um excelente tinto Monte da Peceguina de 2005, senão não teria sido tão cordato quando ao intervalo o empregado se acerca da mesa e pergunta com ar trocista:
“O seu Sporting, estava bom?”
“Quase tão bom como o seu porco preto, obrigado”, respondi com sorriso à Estoril-Praia.
Foi a gota de água. Pedi a conta e decidi para espanto até da minha mulher, que já não havia mais futebol para ninguém. Voltei para o monte isolado, sem rede e sem SportTV. Dormi mal.
Só na manhã seguinte vim a saber que ganhámos 3-0, e que o Tonel manteve acesa a luta com o Nuno Gomes na corrida para 34º melhor marcador da Liga. E eu não vi nada disto.
As coisas que um tipo faz por amor. No próximo fim-de-semana comprido com jogo em casa a meio, juro que faço como o Fábio Coentrão: atiro-me para o chão e finjo uma apendicite!
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
SuperBlog Awards: Encomendem as faixas
Ora como todos sabemos futebol é cerveja, cerveja é futebol e vice-versa. Assim sendo, não vemos razões para a marca de Leça do Balio não nos dar já como vencedores antecipados deste grande certame. O prémio para o blog vencedor consiste num cheque da Worten no valor de 3000€. Ora, em reunião extraordinária da SAD deste blog, decidimos prescindir dos electrodomésticos. Preferimos converter esta verba em cervejas e partilhá-las com os nossos leitores. 3000€ a dividir por 75 cêntimos/garrafa dá 4000 cervejas, que dividindo por cerca de 16 leitores (são 17, mas a mãe do 7 Maldito deixou a bebida) prefaz umas 250 per capita. Ou seja, quase o suficiente para um fim-de-semana bem passado em frente à SportTV mais hora e meia a aturar o Rui Santos na SIC Notícias.
Ainda não está na hora de votar. Quando estiver, aqui a gerência centra o link confiando no vosso remate certeiro.
O 7 Maldito
Homem da Luz
sábado, 6 de outubro de 2007
Há coisas incríveis, não há?
E é aqui meus senhores que esta história muda de destino. Sem saber que aquela boca do metro iria ser mais perigosa, do que a célebre boca do túnel das antas aqui há uns anos. E eu ainda não sabia que iria sair da boca do metro, pior do que o César Brito saiu da boca do túnel da Antas na tarde em que marcou os dois golos que nos valeram um campeonato. Estava a chuviscar em Lisboa e, quando me vou a fazer ao lance de escadas, ponho o pé em falso, escarrego e caio com um aparato muito semelhante ao das simulações de penalty do Liedson & CIA. Claro que como benfiquista, a minha não foi simulação e as memórias dessa noite acabaram-se junto àqueles degraus. Quando voltei a mim, estava num quarto que me era estranho. Lençois de cetim, espelhos no tecto e paredes laterais, cama redonda, enfim uma daquelas casas a que todos os homens, independemente do seu clube, chamam de ataque. A cabeça doía-me. Oiço uma voz, “Comu eztá o meu amigú?”. Era o Yuri e disse-me que perdi os sentidos com a queda e que me tinha levado para ali porque não sabia para onde me levar. Explicou-me que é ali que trabalha como segurança, “uma casa di mininas preciza sémpre de siguranza.” Perguntou-me como me sentia e eu respondi que sentia um enorme galo na cabeça. Daí, até descobrir que nessa noite não tinha sido eu o único a ter galo, foi um instantinho. Perguntei-lhe quanto tinha ficado o jogo. Ele respondeu. Primeiro pensei que fosse uma brincadeira, e quando passado bastante tempo percebi que era verdade, perdi novamente os sentido como é óbvio.
Voltei a mim e, para minha gloriosa surpresa, a presença do Yuri tinha sido substituída pela presença de 3 deusas do Leste. Só entre nós, amigos da bola, digo-vos que aquelas meninas começaram avançavar para mim como se eu fosse o Cristiano Ronaldo. Enquanto se despojavam de todas as peças de vestuário, apresentaram-se como sendo a Anastasia, a Yana e a Svetlana. Disseram que eram amigas do Yuri e, dentro muito em breve, seriam minhas amigas também. Sinceramente, já as estava a achar aquilo do mais amistoso que vivi nos últimos anos, só nunca pensei é que podessemos ficar tão íntimos. A partir daí o que ocorreu naquele quarto espelhado não se enquadra num blogue como o Impróprio, mas sim num blogue do Dr. Júlio Machado Vaz ou da Dra. Marta Crawford, caso o tivessem é claro. Como não têm, só irão ser revelados na altura do lançamento da biografia do Homem da Luz e que irá conter pormenores da sua glamorousa, excitante e admirada nos 4 cantos do mundo, vida sexual.
Até lá, só vos digo que, ao contrário do Benfica, facturei 3 saborosos pontos que se prolongaram até sábado de madrugada - já se sabe, os benfiquistas são assim!
Quando tudo terminou, as raparigas dormiam com sorrisos maiores do que os adeptos do Shaktar e garanto-vos que não eram menos merecidos. Já vestido, encontrei juntoa às minhas roupas um cartão da Netcabo, tinha o nome do Yuri e uma frase escrita: Há coisas incríveis, não há? Levantei o olhar do cartão, fixei a cama com as 3 miúdas, sorri da piada e saí.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Uma questão de princípios
“Para quando a estocada final?”, teclou-me outro
“Estou a estranhar o teu silêncio”, ligou-me mais um
Gostava de esclarecer aqui uma coisa: desde tenra idade que os meus pais (que não gostam de futebol) me incutiram uma série de princípios morais e sociais que ainda hoje regem o meu comportamento e a minha conduta.
Quando ainda criança passava pelo aleijadinho do metro lembro-me da minha mãe dizer “7, não gozes com o senhor. Ele não tem culpa de ter nascido com aquele problema”.
Quando passava pelo tontinho na Baixa, o meu pai avisava-me “não troces do senhor, 7. Teve um desgosto na vida que o deixou assim”.
Quando nos cruzávamos com os canitos famintos e sarnentos, a senhora minha mãe retirava-me a pedra da calçada da mão e alertava-me “já viste 7, como os pobres animais estão fracos e debilitados? Não os castigues ainda mais.”
E quando passávamos perto do vizinho Estádio da Luz em tarde de jogo e eu apontava para os adeptos encarnados, obesos, de nariz ruborizado e falando uma linguagem que eu não compreendia, lá ouvia os meus pais “não te rias dos senhores, 7. Já é azar suficiente terem nascido do Benfica”.
Hoje amigos, para desgosto dos mais truculentos, os sábios ensinamentos dos meus progenitores falam mais alto.
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
A noite em que a Lua dançou
A razão deste histórico aperto de mãos entre religiões, prende-se também com a sucessão de milagres testemunhados em 90m e capaz de fazer qualquer ateu ir de joelhos a Kiev e voltar.
Atentem:
· Subida das equipas ao relvado onde o Dínamo de Kiev apresenta um 11 que só por um milagre são jogadores de futebol e não emigrantes no nosso país onde representariam as cores da Somague.
· Min 5: Ainda nenhum jogador do Sporting simulou um penalty ou fez beicinho para as câmeras.
· Min 14: Tonel entra de pé-em-riste sobre o ladrilhador ucraniano, perdão guarda-redes ucraniano, o ladrilhador soca a bola que bate na cara de Tonel e entra. Estranho? Então é porque ainda não viram as imagens deste milagre.
· Min 27: Milagre, milagre, a equipa do Dínamo consegue fazer uma jogada e contra todas as leis físicas marca um golo. Pedreiros, ladrilhadores, carpinteiros, betoneiros e electricistas festejam no relvado como se tivessem acabado de construir a 3ª ponte sobre o Tejo.
· Min 37: Ricardo Voz-de-Leão faz uma aparição na baliza do Dínamo, sai a um centro rasteiro como só ele sabe fazer, a bola evidentemente sobra para a equipa adversária onde surge Polga, e sim pasmem-se, faz um golo!! Milagre, Milagre, o homem não marcava um golo há 7 anos, tendo sido o último num jogo em Maceió contra o Juventude da Cachaça. Por esta altura, já todos os grandes líderes religiosos se recolhiam em oração afim de receberem explicações dos seus superiores.
· E os milagres continuaram noite fora: Stojkovic fez boas defesas, o que todos sabemos que só pode ter acontecido por milagre; os jogadores do Sporting aguentaram mais 45m sem simularem penaltys nem fazerem birrinhas com o árbitro; o Paulo Bento fez substituições que normalmente levariam uma equipa a sofrer pelo menos um golo, mas que por manisfesto milagre não aconteceu; o Dínamo sufocou o Sportén nos últimos 15m, criou situações de golo que até o Nuno Gomes seria capaz de concretizar, mas que por milagre nunca aconteceu.
· Terminaram os 90m e só por um grande milagre é que este jogo foi da Champions. Parecia do mesmo nível dos jogos que eu costumo jogar à 2ª com uns amigos em Caselas, sendo que as únicas duas diferenças que encontrei foram que este foi jogado em Kiev (que por acaso é um bocado fora de mão para nós, malta casada e com filhos, saímos tarde do trabalho, etc) e jogou-se à 3ª (e nós temos medo de, como já temos campo marcado à 2ª, chegarmos a Kiev e estarem outra vez uns coxos a jogar)
· Registo ainda para o milagre de não termos visto Paulito Bento, os seus jogadores e dirigentes, os heróicos cruzados da verdade deportiva e insenção da arbitragem, a criticarem o àrbitro e fiscal-de-linha depois de terem sido beneficiados no seu 1º golo. Parece que quando iam criticar o árbitro por, aparente milagre, não ter assinalado um claríssimo pé-em-riste, aconteceu um novo milagre onde as luzes se apagaram, as câmeras ficaram sem baterias e os microfones derreteram. Porém, ainda estou em crer que à chegada à portela - onde serão recebidos por milhares de fiéis incrédulos – os cruzados da verdade desportiva irão criticar veemente o árbitro neste lance, porque são pessoas de bem, altruístas e com um enorme sentido de missão desportiva, o que aliás tem sido bastante claro ao longo dos últimos anos.
Gostaria de me despedir, deixando os parabéns à equipa do Sportén e desejando que todos os adeptos saboreiem bem este momento. É que nunca se sabe quando voltará a acontecer um novo milagre, nem muito menos se o Sportén voltará a jogar mais uma vez na Champions, o que a acontecer, seria um não inferior milagre ao que todos vimos ontem à noite.
Gostava muito que o Benfica tivesse no seu grupo uma equipa tão fraquinha quanto a do Dínamo e que é bastante pior do que a do FC Copenhaga. Infelizmente não tem, mas ao menos vamos ver jogos da Champions, e não jogos de Caselas. Depois de tantos milagres, sigo já para a Catedral mas 1º páro nas roullotes. Bebem alguma coisa ou continuam na água benta?
terça-feira, 2 de outubro de 2007
A gravata
Decidi então ligar para um local por onde já tinha passado dezenas de vezes, mas onde nunca tinha parado: o Sporting Clube da Estrada, filial nº 173 do de Portugal, sito no Lugar da Estrada, algures ali para os lados da Consolação, Peniche. Quis saber se dava para ir lá ver o jogo com um ou dois amigos, se tinham bar, etc, etc…
Atenderam-me o telefone com total desconfiança. “Olha, olha, o número até é de Lisboa…você está mazé a querer pregar-nos uma partida!”. Que não, repliquei. Que só queria ver o jogo em verde e sã companhia, longe da família benfiquista e seus agoiros e mezinhas. A resposta, chocante, não tardou: “Oh amigo, olhe que nós aqui não temos nada a ver com o Sporting”. Faço um parêntesis para esclarecer que a fachada da sede do Sporting Clube da Estrada é às listas verdes e brancas e o enorme símbolo lá pintado é igual ao do SCP apenas mudando a última letra. “Aliás, o Presidente e muitos membros da direcção são do Benfica”, concluiu. “Infiéis! Hereges! Por menos do que isso já muitos foram obrigados a ver filmes do João Botelho!”, não disse eu, mas devia ter dito.
Tive que buscar nova alternativa.
Em pouco tempo descobri o Núcleo Sportinguista de Peniche. Desta vez apareci sem ligar. À minha espera, um local de culto. Uma espécie de Santuário de Fátima para os fiéis sportinguistas penicheiros. Mais feliz fiquei quando me disseram que aquele era o Núcleo nº 7 - 1 (o 7 é o de Coimbra e o de Peniche uma filial). Que número auspicioso! Três salas (uma para não fumadores), um bar, várias televisões com ecrãs de dimensão apropriada às cataratas da maior parte dos presentes, posters autografados, manchetes emolduradas, troféus e um magnífico e enorme leão de loiça assente sobre relva artificial, segurando com pose de Estado uma bola verde e branca debaixo da pata. Várias minis depois (os restantes convidados bebiam preferencialmente taças de tinto de penalty, no que veio a revelar-se uma premonição para o jogo que se seguiria) percebi que bebes sim, mas comes não, à excepção de batatas fritas de pacote. Nem estava a pedir uma raia de sequinho, iguaria típica da zona. Para a ocasião bastava-me um pires de tremoço, marisco imortalizado pelo Pantera Rosa. Em cidade de pescadores percebi rapidamente que ali, no que diz respeito a petiscos, quem vai ao mar avia-se em terra.
Uma vez sentados todos os 140 tele-espectadores (138 homens e duas mulheres, uma delas bem gira e muito assustada) começou a transmissão da partida. De repente, filmam o banco do Sporting. Silêncio na sala. Tensão no ar. Grande plano de Paulo Bento. Subitamente, o grito vindo lá de trás: “A GRAVATA!!!”. Como fogo na palha, a frase espalhou-se pela sala. Só eu e um inglês atrás de mim não percebíamos. “O gajo voltou a pôr aquela gravata!”, disse um. “É pá, tá outra vez com aquela gravata…” desesperavam outros. “A gravata isto, a gravata aquilo” e o ambiente passou de total confiança para o mais puro desânimo. Creio mesmo que houve quem se tivesse levantado e regressado a casa. A princípio coloquei em causa a sanidade mental daquelas boas gentes. O que é que eles sabiam e eu não!?
O jogo veio a dar-lhes razão. Tenho hoje a certeza que a culpa do vergonhoso empate não foi do árbitro, nem do Quim, nem do losango. A culpa foi claramente daquela gravata.
Por isso Paulo Bento, hoje quando subires ao nevado do Estádio NSC Olympiyskiy de bola cor de laranja debaixo do braço, peço-te encarecidamente que envergues o teu melhor fato de treino.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Sporting Clube de Pithyum (parte II)
De volta ao futebol, todos estamos de acordo que o fiscal de linha que marcou penalty contra o Estrela na Carlsberg Cup, só o fez por ter sido o cliente do mês do patrocinador da prova, certo? Mas então porque é os sportinguistas mudam de opinião se forem eles os beneficiados? Então agora a lógica já é que o árbitro deverá sempre seguir a opinião do fiscal de linha, independetemente destes errarem 97,8% das vezes? Mesmo que o árbitro do Estrela tivesse visto que não era penalty tinha de o marcar porque o fiscal levantou a bandeirola? Portanto, a lógica é dar continuidade ao erro? Bem, então parece-me que há srs que mudam mais depressa de opinião do que a Zita Seabra muda de partido. No meu clube, dizemos que isso não é de Homem. E assim, começa a ser claro que o Veloso não é o único benfiquista que tem um filho no Sporting. Aparentemente, o Néné tem lá muitos, muitos mais.
Tenho a certeza que não há um benfiquista – tirando o Jorge Máximo e o seu fígado de malte 12 anos – que não sente vergonha pelo tal penalty. No meu clube somos todos gente simples, trabalhadora, humana e - agora que lá não está o Zé Veiga já posso dizer - honesta. No meu clube, sabemos perder como homens e aprender com as derrotas, porque também sabemos que é assim que se fazem os benfiquistas, perdão, os campeões. Dou-vos como exemplo o Toni, sim aquele ex- jogador e ex-treinador do Benfica e tão Benfiquista que até o nariz é encarnado. Há uns anos quando ele era treinador do Benfica, fomos jogar a Setúbal nos 16 avos da Taça de Portugal. Foi um grande jogo de futebol, o Yekini fez um jogaço, marcou 3 golos e o Setúbal venceu categoricamente por 5-2. No final do jogo, acham que o Toni foi dizer que fomos roubados? Nem após ter bebido as 5 garrafas de moscatel que a direcção do Setúbal amavelmente lhe ofereceu, o Toni fez tal figura, ou demonstrou tal mesquinhez humana. Nunca mais me esqueço, termina o jogo que acompanhei através do Óscar - um pequeno transistor cinzento de um amigo que nos cantou inúmeras tardes de glória que não essa – e um jornalista corre para junto de Toni e pergunta-lhe: “Então hoje o Benfica teve um jogo para esquecer?” Toni responde: “Para esquecer não. Este foi um jogo para o Benfica se lembrar”. E eu nunca mais me esqueci daquelas palavras, porque simbolizam a atitude de todos os benfiquistas, incluindo os de nariz encarnado que não se fazem passar por ecléticos. Talvez também não tenha esquecido porque nesse ano nunca mais perdemos um jogo, fomos campeões nacionais e, pelo meio, ainda fomos dar 6 batatas ao antigo batatal de alvalade. Topam a diferença pardalitos?
Não viram ninguém do Benfica dizer que perdemos o jogo de sábado – sim para nós empatar em casa com o Sporting tem o mesmo sabor a derrota do que Portugal empatar com a Sérvia, sendo que deixamos as figuras tristes do final para outros fazerem – porque o árbitro não assinalou o penalty mais claro da noite. Sim, depois de ter visto 47 vezes as imagens do lance de Romagnoli, admito que é penalty, até porque dentro da grande àrea adversária, já todos sabemos que os jogadores do Sporting ou são Levezinhos, ou são Pipis. Mas o penalty mais claro é sobre o Adu, isso é claro para todos excepto para o Dias Ferreira e para o o mais forte candidato a seu sucessor, o nosso bem conhecido amigo, leitor, mas sobretudo comentador 27.
Mas ninguém do Benfica falou sobre esse penalty claríssimo, certo? Nem ninguém lançou areia para os olhos dos adeptos benfiquistas, reduzindo a causa do empate ao penalty não assinalado, certo? Nessas caiem os outros, porque o que o treinador e jogadores do Benfica disseram – os nossos dirigentes tentam não fazer figura de Rui Santos para a TV – foi que fizemos pouco para ganhar e somos obrigados a fazer mais, jogar melhor e concretizar as oportunidades que criamos e que são uma tarefa Hercúlea para o Nuno Gomes.
O Sr. Camacho não é o melhor treinador do mundo, mas é seguramente o homem que depois do Erickson melhor espelha e personifica o adepto benfiquista. É por isso que nós gostamos dele, sobretudo do que diz depois dos jogos independetemente dos resultados. Sabe perder e respeitar o adversário, sabe ganhar e respeitar o adversário e sabe empatar sem fazer figura de imbecil.
Tanta conversa com a “tranguilidade” e depois é só “intranguilidade”, como é? Chegam ao balneário no fim do jogo e orquestram aquela desgraceira para o país ver? Já chega dessa conversa, são demasiados anos a bater na mesma tecla. Basta! O que vocês precisam é de um criativo. O Maestro é nosso e com o panorama nacional só vejo mais um, o 7 Maldito que é o grande nº 10 deste blog. Ele seguramente que, em 2 ou 3 minutinhos, inventava qualquer coisa diferente e mais engraçada para vocês dizerem. Se quiserem contactem-me que eu sou o empresário do prodígio e, para vocês, faço isto por 5 milhões de euros e depois ajudo-vos a enganar os vossos sócios a dizer que foi a custo zero. Se já resultou com o JVP – e sabe-se lá com quantos mais- também ia resultar com o 7 Maldito que, na minha opinião, seria a 2ª melhor contratação da história do Sporting, imediatamente a seguir à do Frank Rijkaard.
Parafraseando um homem que sempre admirei como jogador e que respeitei como treinador até ao passado sábado, apetece dizer:
“O fudebol é con os péz, o bazquetebol é con as mãus” e as tonterias sãu con o Sportén!”
I rest my case.
PS- A partir de agora estou concentrado na Champions, à partida a única competição que o Benfica ainda poderá ganhar este ano.
O mister Bimby
Para analisar jogos de futebol e os seus casos, existem profissionais pagos para isso: uns chamam-se jornalistas, os outros inspectores da Judiciária. Mas se querem mesmo saber a minha opinião, e para pôr fim à discussão, acho que foi um jogo mediano (à imagem e semelhança das equipas em campo), equilibrado, com ocasiões para os dois lados, e com uma arbitragem muito medíocre. Dois dos supostos penalties parecem-me indiscutíveis. O outro, é igual a um célebre protagonizado por Abel Xavier, e ainda hoje, passados muitos anos, ainda não se chegou a conclusão nenhuma, a não ser que o Abel Xavier tinha o penteado mais absurdo da prova. A rábula do fiscal de linha e da bola ao ar é que me parece tão ridícula quanto desnecessária. Da expulsão perdoada ao Leo ainda antes da meia-hora e da imunidade de “O Rui” a amarelos não falo.
Na minha opinião, blogues como este têm também uma missão de pacificação e credibilização do futebol nacional. Temos que saber parar com a crítica e admitir humildemente o elogio. E é por isso que as minhas palavras a partir deste momento são dedicadas ao treinador do Benfica, señor José António Camacho. E por muito que vos custe a entender, são palavras de sincero elogio. Um treinador que com aquele plantel consegue acabar o jogo de Sábado empatado, acrescentando assim um pontinho ao seu pecúlio merece a minha vénia. Fazendo um paralelismo com uma área que muito me apraz – a culinária – diria que Camacho é a Bimby dos treinadores. Para os mais desatentos e para aqueles a quem a patroa ainda não obrigou a desembolsar 900 euros em nome da causa feminista e da igualdade nas tarefas domésticas (por princípio, sou contra!), esclareço que a Bimby é um robô de cozinha capaz de fazer qualquer prato. Retirei de um blogue este esclarecedor testemunho de um feliz proprietário:
“Confesso. Sou um desastre na cozinha. Apesar das várias tentativas que fiz ao longo dos anos, nunca consegui cozinhar nada que fosse realmente comestível. Por mais que tentasse nunca consegui fazer nenhum prato que alguém quisesse comer sem ser por pena - aliás, arrisco mesmo afirmar que o meu maior achievement culinário foi conseguir fazer pizzas congeladas no forno sem as queimar!
Mas agora tudo mudou… e porquê? Tenho uma Bimby!!! E o que é uma Bimby? Bem, basicamente é uma máquina feita para tótós que não sabem cozinhar ou para donas de casa que querem passar menos tempo na cozinha. Para fazer comida basta ir “atirando” os ingredientes para dentro da máquina (pela ordem indicada nas instruções) que ela faz o resto.”
Basicamente, ao despedir o Engº Fernando Santos (ainda hoje não me conformo com tamanha injustiça), o Benfica despediu a velha cozinheira da família, que confeccionava sempre os mesmos pratos e que os convivas (leia-se, os adeptos) já não podiam nem cheirar. Era sempre a mesma canja de galinha ensosa, o mesmo bacalhau com natas desenchabido e a mesma pêra bêbeda, por sinal, a única coisa que os comensais ainda toleravam. Isso e o café com cheirinho no fim.
Mandada a velha para a Grécia, chega a Bimby importada de Espanha. Dela, responsáveis e massa associativa (belo nome para um prato…) do Benfica esperam estrelas Michelin. Mas esquecem-se que os ingredientes que a velha e o Sr. Vieira (a dona da casa) deixaram na dispensa não dão nem para uma Menção Honrosa no Festival das Tasquinhas Rurais de Atouguia da Baleia. Quando olhou para as prateleiras, a Bimby viu desde o melhor Vintage comprado na Garrafeira de Campo de Ourique (Rui Costa), a carne argentina de qualidade duvidosa (Di Maria), produtos do Lidl feios, brutos mas eficazes (Petit), especiarias africanas que só se encontram no Martim Moniz (Gilles ou Binya, ou algo assim), mercadoria norte-americana com defeito de fabrico (Adu), falsificações paraguaias (Cardozo) e até um bibelot da loja chinesa (Yu Dabao). Não fazia sentido. Devia haver engano.
A princípio, a Bimby entusiasmada ainda falou em primeiros prémios. Umas semanas depois, feitas as primeiras experiências, lá teve que mudar de discurso dizendo que afinal um segundo lugar já não estava mau.
No Sábado, a Bimby agarrou naquela mistura incompreensível de ingredientes, atirou-os lá para dentro e rezou para que no fim saísse um Bacalhau confitado e kokochas sobre espinafres, cebolas e molho de tomate branco. Saiu-lhe um souflé fraquinho, desinteressante, inodoro e mal temperado, que mesmo assim o adversário não teve apetite nem arte para devorar.
A pergunta que fica é: no dia em que mais uma vez os convivas se fartarem (e não faltará assim tanto), quem é que vai ser despedido? A Bimby, que não pode fazer mais do que já faz, ou a dona da casa que promete estrelas Michelin?
domingo, 30 de setembro de 2007
Sporting Clube de Pithyum (parte I)
O Sporting chegou à Luz, estacionou o autocarro à frente da baliza e assim que a comitiva saiu começou a gritar “penalty”, “penalty”, sem ninguém perceber muito bem porquê. No caminho para os balneários, parece que o Paulinho carregado de sacos de rolos para o cabelo, secadores, amaciadores para cabelos oleosos, pinças, limas para as unhas e cera depilatória, tropeçou num degrau e caíu. De imedato, Paulito Bento gritou indignado: Penalty, Penalty! Já no balneário, enquanto Yanick Djaló fazia uma trancinha no cabelo de Veloso e discutiam a vida social de Paris Hilton, Liedson vê uma sandália esquecida no chão, promove o contacto, mergulha para o soalho de pastilha muito mais bonita que fachada do WC XXI, rebola agarrado à canela enquanto o grupo reclama: “Penalty, penalty”. A esquizofrenia continuou durante e depois do jogo, mas disso já todo o país se riu, sobretudo os psiquiatras que têm nos sportinguistas o seu principal ganha-pão.
É extraordinário que uma equipa que vem à Luz, pelo segundo ano consecutivo, jogar para o empate, que não joga um cú e que tem a mesma atitude no futebol que o Fernando Mamede tinha no atletismo, ainda se queixa no fim que foi roubada!? Nem na Guiné, e talvez até nem no PSD, se vê tanto indigência moral, humana e intelectual.
Esta gente fraca de espírito, dignidade e grandeza, é exactamente igual aos lagartos que eu apanhava nos Verões da minha infância. Agarrava-os com uma mão, aproximava-os da minha cara e perguntava-lhes: Ouve lá, tu também és do Sporting? Quando não respondiam, e a grande maioria nunca o fez, detectava imediatamente a principal característica dos sportnguistas: o medo aka miaúfa aka cagufa aka SCP. Com a outra mão, tirava do bolso o canivete que o meu avô me deu com a inscrição gravada ET PLURIBUS UNUM e num gesto rápido, a frio, para não fazer sofrer muito o animal, cortava-lhes a cabeça. Para meu espanto, os lagartos após serem decepados, continuavam a movimentar o corpo, demonstrando não necessitarem do cérebro para o fazer. Obviamente que com os anos evoluí e por volta dos 33 anos deixei de fazer este bárbaro e animalesco ritual. No momento em que vos escrevo este post, afianço que não corto a cabeça de um lagarto há já quase 3h e três quartos, mais minuto menos minuto. Ora, se por um lado eu apresento uma evolução, por outro os lagartos continuam a mostrar que para se mexerem, falarem, simularem penaltys, serem subversivos na verdade desportiva e eternamente patéticos, continuam a não precisar do cérebro para nada. Ontem no final do jogo, foi isso que aquela cambada de microcéfalos veio fazer e que sempre faz quando não ganha, ou seja, a grande maioria das vezes. Enfim, o costume, esta ausência de contacto entre o cérebro e o corpo não é mais do que um déja-vu sportinguista.
Quanto ao jogo, a 1ª parte foi ao nível da equipa do Sporting, fraquinha. A 2ª parte foi melhor, ao nível da equipa do Benfica, e onde trancámos os lagartos decepados no lugar onde habitualmente os podem encontrar nos derbys: no curral. E assim foi, trancadinhos no curral durante 45 m, a guincharem misericórdia da matança e a gritarem penalty da esquizofrenia.
Curiosamente o único penalty do encontro, foi a 20 metros do sítio onde eu estava e foi feito pelo João Hobbit Moutinho sobre Freddy Conguito Adu. Já no estádio tinha sido claro, indiscutível, óbvio, mas hoje ficou preto no branco com a capa da A Bola onde estão as duas fotos sobre os lances polémicos do derby. Está provado que é penalty a favor do Benfica e internamento psiquiátrico com passagem pela sala de operações oftalomogistas a favor do Sporting.
Depois da palhaçada que dirigentes, técnico e jogadores do Sporting fizeram ontem – no que me pareceu ter sido o ressuscitar do mítico Badaró com umas pitadas do também pouco inteligente Levanta-te e Ri - há para mim uma explicação muito clara. Científica até. Creio , e o que não faltam são registos de aúdio e de imagens que o provem, que todo o clube sofre de uma infermidade grave. Passo a explicar, desconfio que não é só o relvado que contraíu o fungo Pithyum, deixando-o num verdadeiro batatal. No sporting, estão todos contaminados com Pynthium: os adeptos, os jogadores, o Paulito Castanholas Bento, o Carlos João Vieira Pinto a Custo Zero Freitas e o Luís Soares Franco Só de Nome. Infectados, contaminados, doentes em estado grave e com notórios desiquilíbrios mentais. O cérebro está no mesmo estado que o relvado, um batatal onde a única coisa que floresce são os tubérculos e as larvas. Aliás, os penteados do treinador Paulo Bento e director do futebol Pedro Barbosa, apresentam uma fatela risca ao meio e que para os especialistas são os sinais mais gritantes e bárbaros de uma pessoa que sofre de Pithyum.
À semelhança de para o relvado, as únicas curas possíveis são o transplante ou o recurso à quarentena e uso de pesticidas. Com todo o desportivismo, eu recomendo-vos o segundo tratamento. O transplante de cérebro, apesar de ser um operação que sem dúvida cortaria o mal pela raiz, é uma operação para a qual a medicina ainda não tem habilitações. Esta solução iria seguramente causar-vos a morte, o que trocaria o riso que Sporting me provoca por um relativo e moderado desgosto. Recomendo então o uso de pestecidas. Como já vos disse, não percebo muito de relvados mas até percebo qualquer coisa de seres humanos. Assim, recomendava-vos beberem um xaropinho de 8 em 8h, em quantidades unitárias de litro e meio por dose. Não necessitam de receita médica e podem-no encontrar em qualquer drogaria do país, chama-se 605 Forte e presumo que devam ter antepassados que já o usaram.
Despeço-me, desejando-vos as melhoras rápidas e fazendo um sentido brinde (a palavra saúde também não ficaria mal):
À VOSSA!
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Bem-vindos ao Inferno
Às 16h de sábado, as portas do Inferno abrem-se para mais um derby. Esperam-se 65 mil almas que durante hora e meia estarão num purgatório em busca da glória eterna.
Longe vão os tempos em que eu assistia a estes jogos com 120.000 pessoas, mais de 1% da população nacional, algo que, provavelmente, nunca mais nenhum clube do mundo conseguirá fazer. Ter mais de um 1% da população de um país, enfiada num estádio a torcer por um clube, significaria que para lá chegarem, o Real Madrid teria de ter um Estádio para 450.000 pessoas, o AC Milan para 600.000 e o Manchester United para 500.000. Mais um facto que faz do meu Benfica o Maior Clube do Mundo.
Mas voltemos ao derby (anglicanismo usado para definir o Impróprio para Cardíacos) e ao Inferno. O Sport Lúcifer e Benfica recebe os meninos de coro do Sporting Católicos de Portugal e, como sempre, iremos torturá-los com o melhor futebol que perfuma os relvado europeus. Durante 90m os endiabrados adeptos do SLB irão enfernizar o ambiente com rituais que infantilizam os rituais satânicos outrora praticados pela Inquisição, curiosamente, apelidada de Santa.
Após escrever a palavra Santa e envolto num nevoeiro profético - obra da roullote que hoje vieram colocar aqui no quarto 63 do Hotel Amazónia do Jamor - tenho um ataque de desportivismo, a doença mais rara num adepto de futebol. Sou surpreendido por este ataque que, ao contrário do que eu esperava e estou habituado, não é da cirrose que já me valeu uma águia de prata. Da minha própria boca sai-me a frase: “Que vença o melhor”.
Tal como o Stojkovic quando vê uma bola em direcção à sua baliza, fico em estado de pânico e com uma incontrolável descoordenação motora. O meu instinto de sobrevivência, faz-me pedir imediatamente à menina da roulotte um pronto socorro. Astuta, a criatura começa a servir-me o milagroso menú Barbas, composto por uma caneca de moscatel, dose e meia de posta à mirandesa, um garrafão de 5l de tinto com palhinha e um whisky duplo francês e engarrafado em Sangalhos, só para ajudar a empurrar. Melhor mas ainda sóbrio do susto, corro para o computador, entro na net e tento arranjar uma explicação para esta absurda frase de “vença o melhor”. Encontro imediatamente o curriculum dos clubes e comparo-os: o Sportén tem 18 campeonatos nacionais e 14 taças de Portugal enquanto o Benfica tem 31 campeonatos e 24 taças de Portugal. Nos 272 derbys já disputados, o Glorioso tem 118 vitórias (67 para o campeonato), 53 empates (34 para o campeonato), contra 101 vitórias do Sporting (44 para o campeonato). Em golos o Benfica também é melhor: 465 contra 433 dos leões. Com estes números vejo que não é só o Estádio da Luz que é um Inferno, a vida de um sportinguista também o é.
Mais calmo, beijo o cachecol que trago amarrado à cabeça e, só por piada, bato o recorde de Taças de Portugal do Benfica e viro 25 taças de tinto de penalty. Agora percebo o significado da expressão que vença o melhor. Sábado no Inferno da Luz, quando a 2ª circular deixar de ser uma estrada e passar a ser uma trincheira, já posso gritar com todo o desportivismo: QUE VENÇA O MELHOR!
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Silêncio, que se está a jogar na Luz
Nota prévia: obrigado a todos aqueles que me fizeram chegar mails, telefonemas e comentários durante o dia, exigindo a entrada deste post. “Eh pá, disseste que era na 5ª e ainda não vi lá nada!”, disseram eles. Meus amigos - respondo eu - até à meia-noite ainda é quinta-feira, e a malta tem empregos e chefes, e não dá para gastar umas horinhas do expediente assim como quem vai comprar tabaco e volta... A não ser que isto passe a ser um blogue só para assinantes. Tipo SportTV da net, mas sem aquelas duas gajas boas que entrevistam os jogadores. Aí talvez já dê para o bitoque, para montar casa em Massamá a uma “amiga”, e para ter posts a tempo e horas. A ver se falo com o Homem da Luz acerca deste tema...
Mas vamos ao que interessa: à hora de fecho deste post ainda não tenho na minha posse dados relativos à venda de bilhetes para o derby deste Sábado. Mas garanto a todos os nossos dezoito leitores que espero ansiosamente que a Luz esgote. E já vão perceber porquê.
O Sporting pode até ir jogar à Luz sem o Liedson. Até podemos jogar sem o Moutinho ou o Veloso. Catástrofe das catástrofes, até podemos entrar em campo com o Purovic, o Djaló e o Farnerud no 11 inicial, que a coisa está bem encaminhada. Porque nestes jogos “a doer”, há um factor que funciona sempre a favor da turma visitante: o público da Luz.
Acreditem ou não, com o estádio cheio e num jogo grande, o público benfiquista ajuda mais a equipa visitante do que os encarnados, perdão, os rosas. São o 12º jogador...do adversário. Porquê? Pura e simplesmente porque enquanto as coisas não correm bem, eles não abrem a boca. Calam-se como ratos. Acobardam-se.
Um destes dias prestem atenção. Reparem que as únicas ocasiões que fazem aquela turba ulular são:
- a águia Vitória mergulhando em busca da única refeição da semana, num espectáculo de fazer corar de vergonha os organizadores de lutas de pitbulls em Chelas
- o Mantorras “Saci-Pererê” a levantar-se do banco para aquecer (esta confesso que nunca compreendi)
- o guarda-redes adversário a marcar um pontapé de baliza, no que aproveitam para gritar as primeiras palavras que aprenderam
Num derby, num clássico ou numa jornada europeia, se por obra do acaso ou de um fiscal de linha não marcam um golo madrugador, impera um silêncio sepulcral. Dá para ouvir em casa o nervosismo. E se dá para ouvir em casa, imaginem só o que ouvem os jogadores. E com o nervosismo dos jogadores, começam as asneiras, e com as asneiras vêm os assobios.
É nesta altura que o Inferno da Luz, tão real de há 20 anos para cá como a heterosexualidade do ex-capitão Calado, se transforma no Inverno da Luz: desconfortável, frio, e muitas vezes chuvoso, tais são as quantidades de perdigotos projectados.
E assim, a Luz transforma-se em terreno fértil para colhermos os 3 pontos.
Claro que se porventura acontece um golo para os da casa, explodem em “gloriosos SLB’s” e “Ninguém pára o Benfica”, revelando gravíssimos sintomas de bipolaridade: são capazes de passar da depressão à euforia em escassos segundos. Têm piada.
Um conselho ao presidente Luís Filipe Vieira: na reabertura do mercado em Dezembro, fale como o seu amigo Rui Alves e troque o Miguelito (lembram-se?) pela claque feminina do Nacional. Aquelas 9 ou 10 patéticas criaturas e seus bombos conseguem-se fazer ouvir melhor do que 75.000 sócios benfiquistas.
E para verem como eu tenho razão, reparem bem no gesto que o Liedson vai fazer quando marcar na Luz...
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
O grande ausente
Este post é uma sincera e sentida homenagem a Vanderlei Fernandes Silva, aka Derlei, aka Ninja. O Vanderlei é sem dúvida alguma o grande ausente do derby do próximo sábado, tanto para lagartos como para todos os meus 6 milhões de familiares. O Vanderlei era um ódio de estimação na Luz, mas assim que assinou pelo Sporting, tudo mudou e passámos a gostar tanto dele como gostámos do Koke, do Nalitzis, do Motta, do Alecs, enfim daquela rapaziada que ao fim-de-semana nos fazia rir ainda mais do que ouvir o Filipe Soares Franco a dizer que o seu clube vai chegar aos 100.000 sócios.
Desenganem-se os que pensam que o Vanderlei iria ser apupado quando entrasse em campo, estou seguro que iria ser mais aplaudido do que o mentecapto do Luís Filipe. É uma enorme alegria para todos os benfiquistas ver o Vanderlei vestido de leão ao peito, com o seu penteado franchizado pelo Rui Santos e a sua técnica que faz recordar as de Farnerud e de Manuel Luís Goucha.
Por tudo aquilo que fez no Benfica, temos todos muita esperança que o Vanderlei venha a fazer o mesmo no Sporting, para assim finalmente cair no goto dos adeptos encarnados.
Vanderlei, se estás a ler estas linhas desejo-te em nome de todos nós as melhoras rápidas e que voltes depressa aos relvados. Acredita que, pela primeira vez, este sábado vais fazer-nos muita falta.
Seguimos para estágio
5ª Feira: Antevisão a cargo de “O 7 Maldito”, o visitante
6ª Feira: Antevisão de “Homem da Luz”, a jogar em casa
Sábado se a embriaguez permitir,ou Domingo quando a ressaca deixar: balanço do Vencedor
2ª Feira: balanço do derrotado (damos mais 24 horas para lamber as feridas)
Em caso de empate, logo se vê. Porque o empate não interessa nem ao menino Jesus. Desculpem, interessa ao menino Jesualdo.
Mas, tal como no futebol lusitano, o que hoje é verdade amanhã é mentira e vice-versa. Por isso, se nos apetecer escrever fora deste âmbito não hesitaremos em fazê-lo. Da mesma maneira que se a jornada da Taça da Liga correr mal, também nos reservamos ao direito de entrar em blackout e pôr as culpas no Vitor Pereira.
Homem da Luz
O 7 Maldito