quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Venha o Diabo e escolha!
No derby da capital, é comum dizer-se que a equipa que está pior é a que vence. Os resultados finais aprovam esta teoria em pleno, excepto nestes últimos anos em que Paulo Bento estacionou o autocarro em frente à baliza e saiu em ombros por ter almejado um fantástico empate. Porém este ano, para além do autocarro que já foi parqueado para o jogo com o Estrela, eu não consigo de facto dizer qual das duas equipas está pior. É como perguntarem-me o que cheira pior, uma Etar ou a Assembleia da República? Todos sabemos que “ambas as duas” não cheiram mal, tresandam. É exactamente o que se passa com as nossa equipas, se uma é uma miséria, a outra é miserável. Por isso decidi fazer um exercício, tipo um Totobola entre os jogadores de cada equipa que ocupam a mesma posição (creio que em relação aos treinadores nem vale a pena ver qual é o melhor, seria voltar à questão da Etar e da A.R.). Talvez assim se consiga descobrir qual é a pior das duas equipas: Rui Patrício vs Quim: 2 - Quim é indiscutivelmente o melhor guarda-redes português e só há duas pessoas que não vêm isso, o frouxo do Scolari e o José Cid quando lhe tapam o olho esquerdo. Abel vs Nélson: 1- Sem qualquer tipo de dúvidas, Abel é um jogador com tanta qualidade que está indiscutivelmente a mais no plantel do SCP. Se nos estás a ler Abel, na Luz saberíamos aplaudir o teu valor, pensa nisso pá. Tonel vs Luisão: 2 - Tonel é um Ed Carlos à portuguesa, Luisão é titular da selecção do Brasil e um dos dois melhores centrais a jogar em Portugal. Polga vs Katsouranis: 1 - Polga é o outro melhor central a jogar em Portugal. Grimmi vs Léo: 2 - Grimmi é indiscutivelmente melhor que Ronny mas Léo é na minha opinião o melhor defesa esquerdo do campeonato. Claro que quando no final desta época ele assinar pelo FCP, a minha opinião irá mudar radicalmente, mas isso é outra conversa. Veloso vs Binya: 2- Miguel Veloso é como Rui Patrício, uma enorme e inusitada histeria leonina à volta de nada. Veloso tem bons pés, sem dúvida, mas é tão bom trinco como Luís Filipe seria um bom nº 10 (afinal nas Escolas do Benfica até sabem umas coisinhas...) Izmailov vs Maxi Pereira: 1- O russo foi uma boa contratação e é bom jogador, Maxi foi uma má contratação e Camacho insiste em não colocá-lo na única posição que poderia ser útil ao Glorioso: defesa direito. Romagnoli vs Rodriguez: 2- Romagnoli seria um excelente jogador de futebol de praia, sobretudo em areia molhada já que sua condição física é gerontófila para um profissional. Em vez de ter os pais tatuados no peito, deveria ter tatuado um 3º e 4º pulmões. Moutinho vs Rui Costa: 1X2- Apesar da idade, Rui Costa continua a ser um dos 3 melhores nº 10 do mundo e o melhor jogador do Benfica, João Moutinho é também o mais sério e constante jogador do SCP. Para além disso já assumiu o seu benfiquismo, o que aumentou a minha consideração por ele. Se Rui Costa tivesse a idade do Moutinho, acreditem que apostava no Maestro, o meu jogador preferido da actualidade. Vuckcevic vs Makukula: 1- Apesar de pouco inteligente (aquela lesão parecia tirada de um filme do Jackie Chan) o incrível Vuck é um excelente jogador com uma mobilidade e técnica muito superior ao Aziza. Porém, tenho confiança que em campo o Makukula ainda me possa dar uma alegria quando colocar o Tonel no bolso, ou na rua. Liedson vs Cardozo: 1- Liedson é o 2º melhor avançado do campeonato, logo após Lisandro, apesar de este ano ter poucos golos e fracas exibições. Cardozo, é muito bom de bola mas creio que ainda só demonstrou capacidade para marcar em lances de bolas parada, o que é muito pouco. Fazendo a contagem final, há 5 posições em que o SCP é superior, 5 em que o Benfica é superior e uma onde são equivalentes. Ou seja, se isto fosse boxe seria a 1ª vez da história em que ambos perderiam por K.O. técnico, tombando em uníssono no tapete. Por isso, se querem que vos diga quem vai ganhar, não sei. A única resposta que me ocorre é que venha o Diabo e escolha. Já agora se o Diabo puder ser vermelho, a família benfiquista agradece.
À Benfica
Jogar mal (muito mal), perante bancadas vazias e ganhar já nos descontos com um golo ridículo, fruto do acaso e marcado em fora-de-jogo por um jogador inapto para a prática do futebol, afinal não acontece só aos outros...
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Comunicado Oficial
A Administração do Impróprio para Cardíacos vem por este meio desmentir todos os boatos que, muito elogiosamente, visam envolver-nos na tentativa de agressão ao comentador Rui Santos, ontem à noite à saída dos estúdios da SIC.
Se contactarem os nossos advogados, estes poderão confirmar-vos que a essa hora o Homem da Luz festejava a independência do Kosovo com adidas culturais dessa nação balcânica, num bar dançante na periferia de Ciudad Rodrigo. Já O 7 Maldito estava em Famalicão a ultimar o carregamento de um camião com uma remessa de camisas Ralph Lauren contrafeitas, com destino à Feira de Vigo. No regresso, o camião vazio aproveitaria para dar boleia a mais umas quantas adidas culturais kosovares.
Resta-nos acrescentar que repudiamos de forma clara e inequívoca esta tentativa de agressão. Quem nos conhece sabe que não pactuamos com tentativas. Se é para agredir, agride-se mesmo. Aqui trabalha-se à Sá Pinto. Nunca à Scolari.
Se contactarem os nossos advogados, estes poderão confirmar-vos que a essa hora o Homem da Luz festejava a independência do Kosovo com adidas culturais dessa nação balcânica, num bar dançante na periferia de Ciudad Rodrigo. Já O 7 Maldito estava em Famalicão a ultimar o carregamento de um camião com uma remessa de camisas Ralph Lauren contrafeitas, com destino à Feira de Vigo. No regresso, o camião vazio aproveitaria para dar boleia a mais umas quantas adidas culturais kosovares.
Resta-nos acrescentar que repudiamos de forma clara e inequívoca esta tentativa de agressão. Quem nos conhece sabe que não pactuamos com tentativas. Se é para agredir, agride-se mesmo. Aqui trabalha-se à Sá Pinto. Nunca à Scolari.
Os Óscares da 2ª Circular
Ontem à noite realizou-se mais uma edição da entrega dos Óscares onde o grande vencedor foi... o Futebol Clube do Porto que arrecadou mais um título de campeão nacional.
Para além do tri-campeão, a noite foi de festa para os restantes galardoados nas diferentes categorias:
Melhor Fotografia: “O Plantel do Sporting 2007/08”, fotografia com todos os jogadores e equipa técnica, também galardoada com o 1º lugar na exposição World Depress Photo.
Melhor Música: “A culpa é do árbitro” um clássico dos Leões remixed by Toda Santa Jornada.
Melhor Argumento Original: “A partir das 20h, ele não sabe o que diz” por Carlos Queiróz, baseado na história verídica de Filipe Soares Franco.
Melhor Filme de Animação: “A contratação de Rata Tiuí”, a história de um rato brasileiro que embarcou numa caravela rumo a Portugal, onde pegou na receita do “custo-zero” e transformou-a em “não valho um chavo”.
Melhor Filme Estrangeiro: “O Drácula desdentado”, comédia passada numa casa de frangos e assinada por Vladimir Stojkovic.
Melhor Documentário: “Um dia vamos saber marcar penáltis”, o drama da turma de finalistas da Escola C+S de Alcochete.
Melhor Realizador: Rui Costa em “No team for the old man”.
Melhor Filme: “A Lista de Bufos” de Paulo Bento
Melhor Actor Secundário- Yannick Djaló em “A Muleta de Purovic”
Melhor Actor Principal- Miguel Veloso em “Óbélix e a Fúria dos Javalis Assados no Espeto”
Prémio Carreira- “O 33”- Autocarro que levou Derlei da Luz para Alvalade.
E para o ano há mais...
Para além do tri-campeão, a noite foi de festa para os restantes galardoados nas diferentes categorias:
Melhor Fotografia: “O Plantel do Sporting 2007/08”, fotografia com todos os jogadores e equipa técnica, também galardoada com o 1º lugar na exposição World Depress Photo.
Melhor Música: “A culpa é do árbitro” um clássico dos Leões remixed by Toda Santa Jornada.
Melhor Argumento Original: “A partir das 20h, ele não sabe o que diz” por Carlos Queiróz, baseado na história verídica de Filipe Soares Franco.
Melhor Filme de Animação: “A contratação de Rata Tiuí”, a história de um rato brasileiro que embarcou numa caravela rumo a Portugal, onde pegou na receita do “custo-zero” e transformou-a em “não valho um chavo”.
Melhor Filme Estrangeiro: “O Drácula desdentado”, comédia passada numa casa de frangos e assinada por Vladimir Stojkovic.
Melhor Documentário: “Um dia vamos saber marcar penáltis”, o drama da turma de finalistas da Escola C+S de Alcochete.
Melhor Realizador: Rui Costa em “No team for the old man”.
Melhor Filme: “A Lista de Bufos” de Paulo Bento
Melhor Actor Secundário- Yannick Djaló em “A Muleta de Purovic”
Melhor Actor Principal- Miguel Veloso em “Óbélix e a Fúria dos Javalis Assados no Espeto”
Prémio Carreira- “O 33”- Autocarro que levou Derlei da Luz para Alvalade.
E para o ano há mais...
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Toda a verdade
Ontem viveu-se uma das noites mais memoráveis do futebol nacional, algo que deixou todos os europeus de boca aberta, um autêntico milagre que seguramente nenhum de nós voltará a esquecer tão cedo: o Sporting marcou 3 golos numa noite europeia! Com este resultado surpreendente os leões seguem em frente na Taça Uefa e Liedson igualou a mítica marca de 18 golos nas competições uefeiras, igualando Manuel Fernandes. São de facto números expressivos e reveladores da dimensão europeia da equipa leonina, já que por exemplo Nuno Gomes só pelo Benfica contabiliza 21 golos nestas provas. Provavelmente os leitores leoninos conhecem melhor o filho, mas até Néné conseguiu marcar 28 golos nas competições europeias pelo Benfica e sem se esforçar muito nem sujar os calções.
Num encontro mais tranquilo e com um resultado final pelo qual já todos esperavam, o Benfica empatou, dominou e controlou o jogo com o Nuremberga. Ao entrar com atletas como Luís Filipe, Ed Carlos, Maxi Pereira e Nuno Assis, Camacho garantia a entrega do jogo aos alemães, tentando poupar ao máximo o físico dos jogadores para a importante partida de domingo, contra o único Sporting que sabe dar uns toques na bola, o de Braga. Mas não foi esta a única jogada brilhante do espanhol Camacho. O treinador escalou um esquema táctico que camuflava o Maior Clube do Mundo, disfarçando-o de mero SCP e o seu nervosismo além-fronteiras. Mais, sabendo que o jogo do Benfica tinha começado 5 minutos mais tarde que o do Sporting, o técnico espanhol certifica-se que os poucos adeptos leoninos que preferem ver um jogo do seu clube em vez dos Benfica, mudassem de canal e tivessem uma alegria 15 vezes superior que acabavam de ter com a sua histórica vitória. Como são verdinhos nestas andanças europeias, Camacho fazia-os acreditar que o Benfica perderia a eliminatória para nos últimos 3 minutos lhes despejar um enorme balde de água fria. Estava assim adiada a peregrinação de cerca de 50 mil sportinguistas em direcção ao Marquês, mais uma vez.
Nesta notável jogada estratégica, Camacho teve cerca de 6 milhões de cúmplices que durante 89m fingiam ter arritmias cardíacas, em interpretações que colocam a de Ralph Fiennes em “O Paciente Inglês” ao nível do plantel do Basileia. Nós benfiquistas, que ainda há dois anos limpámos em Anfield Road o então Campeão Europeu Liverpool por 0-2, sabíamos que eram precisos poucos minutos para pormos os gigantes bárbaros de joelhos a pedir clemência, com um timbre de voz ligeiramente mais grave que o do Ricardo. Camacho guardava no coldre as duas armas secretas que em breves minutos acabariam com os sonhos cor-de-rosa dos adeptos do Nuremberga e dos seus aliados do Sporting. Sádico, ardiloso, maquiavélico, genial, chamem-lhe o que quiserem. Pessoalmente prefiro chamar-lhe simplesmente: “Para pardalitos como vocês, chegam 5m à Benfica”
Num encontro mais tranquilo e com um resultado final pelo qual já todos esperavam, o Benfica empatou, dominou e controlou o jogo com o Nuremberga. Ao entrar com atletas como Luís Filipe, Ed Carlos, Maxi Pereira e Nuno Assis, Camacho garantia a entrega do jogo aos alemães, tentando poupar ao máximo o físico dos jogadores para a importante partida de domingo, contra o único Sporting que sabe dar uns toques na bola, o de Braga. Mas não foi esta a única jogada brilhante do espanhol Camacho. O treinador escalou um esquema táctico que camuflava o Maior Clube do Mundo, disfarçando-o de mero SCP e o seu nervosismo além-fronteiras. Mais, sabendo que o jogo do Benfica tinha começado 5 minutos mais tarde que o do Sporting, o técnico espanhol certifica-se que os poucos adeptos leoninos que preferem ver um jogo do seu clube em vez dos Benfica, mudassem de canal e tivessem uma alegria 15 vezes superior que acabavam de ter com a sua histórica vitória. Como são verdinhos nestas andanças europeias, Camacho fazia-os acreditar que o Benfica perderia a eliminatória para nos últimos 3 minutos lhes despejar um enorme balde de água fria. Estava assim adiada a peregrinação de cerca de 50 mil sportinguistas em direcção ao Marquês, mais uma vez.
Nesta notável jogada estratégica, Camacho teve cerca de 6 milhões de cúmplices que durante 89m fingiam ter arritmias cardíacas, em interpretações que colocam a de Ralph Fiennes em “O Paciente Inglês” ao nível do plantel do Basileia. Nós benfiquistas, que ainda há dois anos limpámos em Anfield Road o então Campeão Europeu Liverpool por 0-2, sabíamos que eram precisos poucos minutos para pormos os gigantes bárbaros de joelhos a pedir clemência, com um timbre de voz ligeiramente mais grave que o do Ricardo. Camacho guardava no coldre as duas armas secretas que em breves minutos acabariam com os sonhos cor-de-rosa dos adeptos do Nuremberga e dos seus aliados do Sporting. Sádico, ardiloso, maquiavélico, genial, chamem-lhe o que quiserem. Pessoalmente prefiro chamar-lhe simplesmente: “Para pardalitos como vocês, chegam 5m à Benfica”
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Uma noite quase perfeita
O Sporting ganhou.
Melhor: o Sporting ganhou fora!
O Liedson marcou.
Melhor: o Liedson bisou!
O Pereirinha marcou.
O Farnerud não foi assobiado.
O Gladstone não enterrou.
O Ronny quase não jogou.
Foi uma boa quinta-feira europeia.
Mas não foi perfeita.
À conta do Bolton (?), amanhã de manhã mal chegar à firma vou ter que ligar à dona Alda da gráfica para cancelar a impressão da faixa que tinha encomendado para a próxima eliminatória, e que ia dizer em letras garrafais:
"Simão, dá-me o teu soutien"
Melhor: o Sporting ganhou fora!
O Liedson marcou.
Melhor: o Liedson bisou!
O Pereirinha marcou.
O Farnerud não foi assobiado.
O Gladstone não enterrou.
O Ronny quase não jogou.
Foi uma boa quinta-feira europeia.
Mas não foi perfeita.
À conta do Bolton (?), amanhã de manhã mal chegar à firma vou ter que ligar à dona Alda da gráfica para cancelar a impressão da faixa que tinha encomendado para a próxima eliminatória, e que ia dizer em letras garrafais:
"Simão, dá-me o teu soutien"
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
Castigo máximo - o inquérito
Convidamos agora o assinante amigo do Impróprio para Cardíacos a contribuír com o seu voto (aqui à direita) para a selecção do próximo marcador de grandes penalidades do Sporting.
No seio do plantel leonino, ser escolhido para apontar um penalty é neste momento um verdadeiro castigo máximo: a probabilidade de errar ronda os 132%, o coro de assobios é um dado adquirido e a humilhação pública na hora de deixar os filhos na escola mais que certa.
Urge encontrar alguém que não trema na hora da verdade. Ajude o Paulo Bento, exercendo o seu dever cívico. E não se esqueça: o voto é secreto.
No seio do plantel leonino, ser escolhido para apontar um penalty é neste momento um verdadeiro castigo máximo: a probabilidade de errar ronda os 132%, o coro de assobios é um dado adquirido e a humilhação pública na hora de deixar os filhos na escola mais que certa.
Urge encontrar alguém que não trema na hora da verdade. Ajude o Paulo Bento, exercendo o seu dever cívico. E não se esqueça: o voto é secreto.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Darwin explica
Não há melhor programa para uma solarenga tarde de Sábado do que ficar em casa a ver um jogo da Taça de Inglaterra. Esta afirmação pode soar algo chocante aos ouvidos de algumas meninas que inadvertidamente visitam esta casa (sim, eu sei que elas vêm cá), mas é uma verdade apodítica para todos os machos que como eu têm uma percentagem de testosterona igual à Dina. E se um qualquer Barnsley x Watford consegue ser mais interessante que um Sporting x Benfica, o que dizer de um Manchester United x Arsenal?
Dor de cabeça simulada, barba por fazer, pantufas calçadas, minis e cajús no braço do sofá e já está. Mesmo sem Cristiano Ronaldo, a coisa prometia.
Meia hora de jogo depois, já não restavam dúvidas: grande espectáculo de bola e, na ausência do madeirense, era Nani quem encantava. No final da partida, um golo marcado, duas assistências para golo e participação directa noutro. Até parecia fácil.
A actuação do rapaz foi impressionante. Tão impressionante que me obrigou a procurar uma explicação. Não sendo dado a grandes crendices ou religiosidades, procurei respostas na ciência. E foi um naturalista britânico nascido em 1809 de nome Charles Robert Darwin quem veio em meu auxílio. Darwin, que de futebol percebia tanto como o Camacho, mas que de bicharada sabia a potes, desenvolveu uma teoria que na época foi verdadeiramente revolucionária: A Teoria da Evolução através da selecção natural, publicada no mítico livro A Origem das Espécies. Não quero agora maçar-vos com explicações pormenorizadas acerca desta teoria (que provavelmente todos conhecem, a menos que andassem a jogar ao bate-pé durante as aulas de Ciências da Natureza). Interessa apenas saber que defendia a ideia de que os seres vivos se adaptam ao logo de sucessivas gerações ao meio ambiente, desenvolvendo e aperfeiçoando características que os tornam cada vez mais aptos à sobrevivência. Esta teoria dá origem à frase “Só os mais fortes sobrevivem”, originalmente aplicada por Herbert Spencer nos seus Princípios de Biologia de 1864 e levada muito a peito pelo Petit, apesar de sabermos que este assina de cruz e dos jornais só vê “os bonecos”.
Se esta teoria é verdade na Natureza e até na Economia, não o é menos numa escola de formação de futebolistas. Também uma Academia é um habitat onde as espécies (os jogadores) têm de lutar diariamente pela sobrevivência (sucesso desportivo).
Tomando como exemplo a melhor escola de formação de Portugal e uma das melhores do mundo, a Academia Sporting sita em Alcochete, vemos como a Selecção Natural separa paulatinamente os mais aptos dos mais débeis. A Mãe Natureza é sábia e raramente se equivoca. Com o passar dos anos, vemos jogadores como Luís Figo, Cristiano Ronaldo e agora Nani a ganhar o estatuto de Macho Alfa, líderes entre os seus, autoridades incontestadas e machos reprodutores por excelência. Saem do habitat que os viu nascer e triunfam em qualquer savana. São a referência à escala planetária e todos querem seguir os seus passos. Abatem a zebra, banqueteiam-se e deixam os restos para os outros.
Depois há os medianos, aqueles que desenvolvem condições para sobreviver em segurança, mas que nunca, mas nunca chegarão a líderes de alcateia. Normalmente, deambulam de habitat em habitat sem brilhar. Cumprem. Mas jamais serão os primeiros a abocanhar a coxa da zebra. São os Boa-Mortes, os Hugos Vianas, os Peixes e os Carlos Martins da vida.
Por fim, há a base da pirâmide natural. Os coitadinhos. Os enjeitados. Os que ficam para trás quando é preciso fugir da chita caçadora. Os primeiros a ser sacrificados quando as coisas apertam. Os que só tocam nos ossos da zebra depois dos corvos, das moscas e da águia Vitória terem comido. Nunca hão-de chegar a lado nenhum. Desde o dia em que nascem que a sua vida se torna uma insuportável sequência de tormentas e azares. Até caírem num poço lamacento e sulfuroso ou serem devorados por formigas brancas é apenas uma questão de tempo.
Quando virem uma hiena a rir é porque anda um destes miseráveis por perto. E muito provavelmente é o drogado do Nuno Assis num poço lamacento e sulfuroso ali para as bandas de Benfica.
Dor de cabeça simulada, barba por fazer, pantufas calçadas, minis e cajús no braço do sofá e já está. Mesmo sem Cristiano Ronaldo, a coisa prometia.
Meia hora de jogo depois, já não restavam dúvidas: grande espectáculo de bola e, na ausência do madeirense, era Nani quem encantava. No final da partida, um golo marcado, duas assistências para golo e participação directa noutro. Até parecia fácil.
A actuação do rapaz foi impressionante. Tão impressionante que me obrigou a procurar uma explicação. Não sendo dado a grandes crendices ou religiosidades, procurei respostas na ciência. E foi um naturalista britânico nascido em 1809 de nome Charles Robert Darwin quem veio em meu auxílio. Darwin, que de futebol percebia tanto como o Camacho, mas que de bicharada sabia a potes, desenvolveu uma teoria que na época foi verdadeiramente revolucionária: A Teoria da Evolução através da selecção natural, publicada no mítico livro A Origem das Espécies. Não quero agora maçar-vos com explicações pormenorizadas acerca desta teoria (que provavelmente todos conhecem, a menos que andassem a jogar ao bate-pé durante as aulas de Ciências da Natureza). Interessa apenas saber que defendia a ideia de que os seres vivos se adaptam ao logo de sucessivas gerações ao meio ambiente, desenvolvendo e aperfeiçoando características que os tornam cada vez mais aptos à sobrevivência. Esta teoria dá origem à frase “Só os mais fortes sobrevivem”, originalmente aplicada por Herbert Spencer nos seus Princípios de Biologia de 1864 e levada muito a peito pelo Petit, apesar de sabermos que este assina de cruz e dos jornais só vê “os bonecos”.
Se esta teoria é verdade na Natureza e até na Economia, não o é menos numa escola de formação de futebolistas. Também uma Academia é um habitat onde as espécies (os jogadores) têm de lutar diariamente pela sobrevivência (sucesso desportivo).
Tomando como exemplo a melhor escola de formação de Portugal e uma das melhores do mundo, a Academia Sporting sita em Alcochete, vemos como a Selecção Natural separa paulatinamente os mais aptos dos mais débeis. A Mãe Natureza é sábia e raramente se equivoca. Com o passar dos anos, vemos jogadores como Luís Figo, Cristiano Ronaldo e agora Nani a ganhar o estatuto de Macho Alfa, líderes entre os seus, autoridades incontestadas e machos reprodutores por excelência. Saem do habitat que os viu nascer e triunfam em qualquer savana. São a referência à escala planetária e todos querem seguir os seus passos. Abatem a zebra, banqueteiam-se e deixam os restos para os outros.
Depois há os medianos, aqueles que desenvolvem condições para sobreviver em segurança, mas que nunca, mas nunca chegarão a líderes de alcateia. Normalmente, deambulam de habitat em habitat sem brilhar. Cumprem. Mas jamais serão os primeiros a abocanhar a coxa da zebra. São os Boa-Mortes, os Hugos Vianas, os Peixes e os Carlos Martins da vida.
Por fim, há a base da pirâmide natural. Os coitadinhos. Os enjeitados. Os que ficam para trás quando é preciso fugir da chita caçadora. Os primeiros a ser sacrificados quando as coisas apertam. Os que só tocam nos ossos da zebra depois dos corvos, das moscas e da águia Vitória terem comido. Nunca hão-de chegar a lado nenhum. Desde o dia em que nascem que a sua vida se torna uma insuportável sequência de tormentas e azares. Até caírem num poço lamacento e sulfuroso ou serem devorados por formigas brancas é apenas uma questão de tempo.
Quando virem uma hiena a rir é porque anda um destes miseráveis por perto. E muito provavelmente é o drogado do Nuno Assis num poço lamacento e sulfuroso ali para as bandas de Benfica.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Acabámos
Não sei bem como começar. Tenho que te dizer isto mas falta-me a coragem. São quase 34 anos juntos, inseparáveis com muito amor, paixão e alegria. Mas estas coisas parece que acontecem cada vez mais, até dizem que é raro ter alguém fixo. Mas contigo nunca tinha sido. Como sabes, eu estive sempre contigo, cativo, fizesse chuva ou sol. Agora, desculpa dizer-te mas já não tenho nenhum interesse por ti. Tenho de admitir que penso noutras equipas, que quando estás em campo já não olho para ti, e quando olho vejo-te muito feiinha. Nunca pensei que o nosso amor pudesse acabar no Dia dos Namorados, mas depois do jogo de ontem não há mais nada a fazer, mais nada a dizer. Tu também deves ter sentido que já não existe química entre nós. Enquanto jogavas para mim, eu olhava para a bancada dos bárbaros alemães a levarem porrada dos bárbaros polícias de choque , distraía-me a olhar para os ecrãs gigantes que passavam imagens da populaça a sorrir e acenar, tapava os olhos com as figuras que fazias e me envergonhavam, bocejava de tédio e fumava cigarro atrás de cigarro para disfarçar a carga de nervos que me estavas a dar. Vou ser sincero, como sempre te fui, já não te podia ver à frente. Foi o Dia dos Namorados menos sexy que vivi, fizeste-me sentir tão só quanto uma taça de uma competição importante na sala de troféus do SCP. Por falar neles, das poucas vezes que sorri ontem foi ao lembrar-me daqueles tontinhos que dizem que o Sporting é a melhor escola de futebol do mundo. É que eu olhava para o campo e perguntava com os dentes serrados de raiva... “onde é que este miserável do Nuno Assis aprendeu a jogar à bola????” É pena que não tenha sido no Conservatório onde estudou o Maestro, aquilo sim é jogar futebol. Mas não, não é suficiente. Nem o Maestro, nem aquele golo obra e graça de S. Valentim, e de um guarda-redes que me fez lembrar o titular da baliza da nossa selecção. Ontem só ganhávamos a duas equipas do mundo: ao Nuremberga e ao Basileia. Foi tão mau, tão mau, tão mau que até éramos capazes de perder com o Sporting. Bem, se calhar já estou a exagerar...
Querido Benfica, antes eras diferente, tinhas classe, vida, alegria e muita mística. Agora deixas-me esverdeado de raiva e só me dás vontade de te dar pontapés, com tanta força como os que dão origem a todas as nossas jogadas de ataque. Porque é que te converteste ao pontapé para a frente e fé em Deus? Não foi essa a Catedral que construímos juntos...
Assim não, não quero estar mais contigo. Já não me interessas, tu não és o meu Benfica. Esse eu vou sempre amar, aconteça o que acontecer. Mas a ti não, quero acabar contigo. A sério, é melhor darmos um tempo...
Querido Benfica, antes eras diferente, tinhas classe, vida, alegria e muita mística. Agora deixas-me esverdeado de raiva e só me dás vontade de te dar pontapés, com tanta força como os que dão origem a todas as nossas jogadas de ataque. Porque é que te converteste ao pontapé para a frente e fé em Deus? Não foi essa a Catedral que construímos juntos...
Assim não, não quero estar mais contigo. Já não me interessas, tu não és o meu Benfica. Esse eu vou sempre amar, aconteça o que acontecer. Mas a ti não, quero acabar contigo. A sério, é melhor darmos um tempo...
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Errei

(imagem do jornal O Jogo, 08/02/2008)
Quando há uns dias atrás me atirei com unhas e dentes ao jornalismo desportivo nacional, errei. E numa atitude reveladora de toda a minha seriedade (extensível também ao meu arqui-rival Homem da Luz), estou aqui agora para me penitenciar e retractar.
Chamar "três embrulhos de castanhas" aos três jornais desportivos foi obviamente um exagero: são só dois.
Felizmente existe O Jogo, um jornal isento, idóneo, credível, responsável, que não cede a populismos nem sensacionalismos. Ler O Jogo é uma verdadeira lufada de ar fresco para quem gosta de desporto em geral e de futebol em particular. O Jogo recorre apenas às melhores fontes e jamais dá ouvidos a bufos. O Jogo devia ser considerado uma Instituição de Utilidade Pública, tal o seu papel no desenvolvimento cultural deste país. O alcance e a profundidade das suas matérias jornalísticas deveriam ser objecto de "case study" em Oxford, Harvard e Princeton. Os seus proprietários e corpo editorial merecem ser glorificados numa monumental marcha triunfal ao melhor estilo da Roma Antiga. O dia de aniversário de Nosso Senhor Joaquim Oliveira tem que ser elevado a feriado em toda a União Europeia. E em toda e qualquer capela ou catedral deste nosso Portugal, a Bíblia Sagrada devia obviamente ser substituída por...O Jogo.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Gordos, Toscos e Bufos
“Não me ria tanto desde a Final da Taça Uefa em Alvalade!”, “Só espero que ele tenha um programa de humor no Canal Benfica!”, “Não troco umas declarações do homem nem por um jogo do Sporting!”, “É o Badaró do futebol!”, foram as únicas frases que se conseguiam arrancar à longa noite de riso que ontem que se viveu nas Casas do Benfica, de norte a sul a do país.
“Para mim, isso não é uma fonte. É um bufo” disse Paulo Bento em mais uma hilariante conferência de imprensa na Academia Jamé. Não satisfeito, ainda acrescentou mais uma belíssima metáfora em relação às constantes fugas de informação dentro do plantel leonino: “Fonte só conheço aquela... a Fonte Luminosa, mas isto é um bufo. Se o apanho, não fica cá nem mais um minuto.”
Desde Santana Lopes (homem que em Alvalade acumulou o cargo de Presidente da Direcção e de “Tio Pedro” na bancada dos cativos) que ninguém conseguia fazer rir tanto o país. É com um rasgado sorriso na cara que agradeço à instituição o enorme contributo que tem dado ao desenvolvimento do humor nacional durante as últimas décadas. Apesar de benfiquista, não me custa nada afirmar que o Sporting é sem dúvida alguma o “Clube mais Engraçado do Mundo e até de Portugal”, título que já peca por tardio desde a passagem do saudoso Presidente Sousa Cintra (clique para rir: http://www.youtube.com/watch?v=yz4hQYFEBFA).
Um clube a quem o seleccinador nacional dá potapés no “bundão” (expressão brasileira que significa rabo extremamente grande, gordo e pesado), que tem jogadores como Stojkovic, Tiago, Rui Franguício, Ronny, Had, Gladstone, Tonel, Miguel Vaidoso, Pipi Cromagnoli, Farnerud, Djaló, Purovic e Kiwi, e tem um treinador a queixar-se que o seu balneário se bufa por todos os lados, só pode ser considerado o clube com mais piada do planeta. Acreditem que não digo isto para gozar com o Sporting, desta vez não. Creio mesmo que, a par da Taça da Liga, este seria um título que assentaria muito bem ao Sporting. A sério rapaziada, como diz Sousa Cintra no vídeo: “É limpííííssimo!”
No meio disto tudo, a única coisa que me preocupa é que perante a ameaça de expulsar o bufo, se descubra que o bufo é o próprio Paulo Bento. Desta forma, o clube leonino ficaria afastado de mais um título e a nação benfiquista perderia a sua maior fonte de alegria esta época. Por acaso, agora que escrevo isto questiono-me se lhe deva chamar fonte ou se lhe deva chamar bufo???
“Para mim, isso não é uma fonte. É um bufo” disse Paulo Bento em mais uma hilariante conferência de imprensa na Academia Jamé. Não satisfeito, ainda acrescentou mais uma belíssima metáfora em relação às constantes fugas de informação dentro do plantel leonino: “Fonte só conheço aquela... a Fonte Luminosa, mas isto é um bufo. Se o apanho, não fica cá nem mais um minuto.”
Desde Santana Lopes (homem que em Alvalade acumulou o cargo de Presidente da Direcção e de “Tio Pedro” na bancada dos cativos) que ninguém conseguia fazer rir tanto o país. É com um rasgado sorriso na cara que agradeço à instituição o enorme contributo que tem dado ao desenvolvimento do humor nacional durante as últimas décadas. Apesar de benfiquista, não me custa nada afirmar que o Sporting é sem dúvida alguma o “Clube mais Engraçado do Mundo e até de Portugal”, título que já peca por tardio desde a passagem do saudoso Presidente Sousa Cintra (clique para rir: http://www.youtube.com/watch?v=yz4hQYFEBFA).
Um clube a quem o seleccinador nacional dá potapés no “bundão” (expressão brasileira que significa rabo extremamente grande, gordo e pesado), que tem jogadores como Stojkovic, Tiago, Rui Franguício, Ronny, Had, Gladstone, Tonel, Miguel Vaidoso, Pipi Cromagnoli, Farnerud, Djaló, Purovic e Kiwi, e tem um treinador a queixar-se que o seu balneário se bufa por todos os lados, só pode ser considerado o clube com mais piada do planeta. Acreditem que não digo isto para gozar com o Sporting, desta vez não. Creio mesmo que, a par da Taça da Liga, este seria um título que assentaria muito bem ao Sporting. A sério rapaziada, como diz Sousa Cintra no vídeo: “É limpííííssimo!”
No meio disto tudo, a única coisa que me preocupa é que perante a ameaça de expulsar o bufo, se descubra que o bufo é o próprio Paulo Bento. Desta forma, o clube leonino ficaria afastado de mais um título e a nação benfiquista perderia a sua maior fonte de alegria esta época. Por acaso, agora que escrevo isto questiono-me se lhe deva chamar fonte ou se lhe deva chamar bufo???
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
SG Benfica
Um destes dias, e a propósito de um post acerca da Lei do Tabaco que descobri num blogue que costumo frequentar, recebi um mail de uma amiga que dizia curto e grosso: “só há esta polémica toda à volta da Lei do Tabaco porque a maioria dos jornalistas são fumadores inveterados”.
De facto, cliché ou não, quando imaginamos um jornalista, vemos imediatamente um tipo de óculos na ponta do nariz, curvo sobre a sua máquina de escrever Remington e – lá está – um cigarrinho fumegante no canto da boca. No caso da Leonor Pinhão ou Miguel Sousa Tavares, passa a três cigarrinhos.
Os tempos mudaram. As velhas Remington deram lugar aos i-Books, os óculos até se podem trocar por lentes de contacto, mas o cigarro continua lá.
São os jornalistas quem tem o poder (o 5º Poder, dizem alguns) de nos formar a opinião, por via da informação que publicam. Se "por acaso" há interesses à mistura, então corremos o risco de sermos manipulados. Mas já aqui voltamos.
Desde que esta nova lei entrou em vigor que tenho falado com os proprietários de cafés e restaurantes onde vou (e não são poucos, porque isto de pedir um Martini às 8h30 da manhã, todos os dias no mesmo sítio, parece mal). Todos, mas todos eles se mostram bastante satisfeitos com as mudanças. O ar mais limpo e a maior rotatividade nas mesas (o meio uísque acompanha de duas pedras de gelo, mas não de um cigarrinho) são apenas alguns dos benefícios apontados.
Mas não. Quem ler os jornais e vir os noticiários pode acreditar (o lusitano emprenha de ouvido com muita facilidade) que o país está prestes a assistir a um levantamento das massas nicotinómanas oprimidas. Na hora da montagem da reportagem, dos vinte depoimentos recolhidos, o jornalista escolhe aqueles dois indignados cidadãos que apontam o dedo a uma lei totalitária (do “antigamente”), opressora e desrespeitadora dos direitos e liberdades dos fumadores, sem perceberem que onde começam os direitos e liberdades tabágicas acabam os mesmos direitos e liberdades dos não fumadores. Mas nem quero ir por aí...
E assim se forma a opinião pública, que com o passar do tempo começa a ter força de lei. Ou, como querem, a força de mandar abaixo esta lei.
“Eh pá, ó 7 Maldito, mas isto é um blogue de bola, ou o blogue do Dr. Fernando Pádua!? O que é que o cú tem a ver com as calças!?”, perguntam-me os mais ultras de vós. Nada mais simples, leitor atento. Guarde lá esse very-light, que eu explico.
Vejamos: por uma questão de mera proporcionalidade demográfica aplicada à respectiva guilda profissional, deduzimos facilmente que se dos nove milhões de portugueses seis são do SLB (um censo feito no Barbas a um Domingo ao almoço e que não se reflecte em presenças nas bancadas da Luz), então 66,66% dos jornalistas desportivos nacionais são sofredores do Benfica (sim, sofre-se do Benfica como se sofre do joanete ou do bico-de-papagaio). E só este facto explica as verdadeiras aleivosias que diariamente são impressas nos três embrulhos de castanhas que versam sobre futebol. E nos outros também. E nas TV’s. E nas rádios.
Estes doentes têm uma missão: fazer-nos acreditar que o “Glorioso”, apesar de moribundo desde que o Eusébio foi jogar para o União de Tomar (falem-me do Iordanov...), continua Glorioso. Que o “Maior Clube do Mundo”, apesar de ter menos 40 ou 50 milhões de adeptos que os egípcios do Al-Ahly, é o Maior Clube do Mundo. Que o Nuno Gomes, apesar de nem a mulher dar nada por ele, é um ponta-de-lança inegociável, essencial para o Benfica. Que o Cárdozo (sim, dizem sempre com acento no “a”), vale muito mais que os absurdos nove milhões que custou e que todos os clubes ingleses o querem comprar. Que o Luís Filipe Vieira, apesar de não ganhar mais que umas taças no deserto é o melhor presidente da história do clube. E que “O Rui”, para além de ser o melhor jogador português desde Cristiano Ronaldo, será o único digno sucessor de Vieira no trono presidencial desse castelo de cartas chamado Sport Lisboa e Benfica. E que as acções da SAD, com mais ou menos manobras orquestradas com o Comendador Berardo, valem mais que petróleo. Eles fazem-nos acreditar que quando o Benfica perde, foram os adversários que fizeram uma exibição transcendental. Porque o Benfica (como temos visto) nunca joga mal. E eles rebolam de prazer quando, durante a transmissão do Portugal – Itália, repetem cinco vezes o comentário “Cassetti, que marcou um grande golo em Alvalade a contar para a Champions”.
O pior é que, tal como vos disse, o povo emprenha facilmente de ouvido. Só assim se explica o fenómeno entroncamental de haver tanta gente a acreditar nestas patranhas. Gente que a cada jornada começa a suspeitar que algo não bate certo. Mas que na manhã seguinte compra o desportivo, folheia e constata que afinal está tudo bem, rapidamente voltando ao seu transe induzido.
Permitam-me a pergunta: o que é que esta malta anda a fumar?
De facto, cliché ou não, quando imaginamos um jornalista, vemos imediatamente um tipo de óculos na ponta do nariz, curvo sobre a sua máquina de escrever Remington e – lá está – um cigarrinho fumegante no canto da boca. No caso da Leonor Pinhão ou Miguel Sousa Tavares, passa a três cigarrinhos.
Os tempos mudaram. As velhas Remington deram lugar aos i-Books, os óculos até se podem trocar por lentes de contacto, mas o cigarro continua lá.
São os jornalistas quem tem o poder (o 5º Poder, dizem alguns) de nos formar a opinião, por via da informação que publicam. Se "por acaso" há interesses à mistura, então corremos o risco de sermos manipulados. Mas já aqui voltamos.
Desde que esta nova lei entrou em vigor que tenho falado com os proprietários de cafés e restaurantes onde vou (e não são poucos, porque isto de pedir um Martini às 8h30 da manhã, todos os dias no mesmo sítio, parece mal). Todos, mas todos eles se mostram bastante satisfeitos com as mudanças. O ar mais limpo e a maior rotatividade nas mesas (o meio uísque acompanha de duas pedras de gelo, mas não de um cigarrinho) são apenas alguns dos benefícios apontados.
Mas não. Quem ler os jornais e vir os noticiários pode acreditar (o lusitano emprenha de ouvido com muita facilidade) que o país está prestes a assistir a um levantamento das massas nicotinómanas oprimidas. Na hora da montagem da reportagem, dos vinte depoimentos recolhidos, o jornalista escolhe aqueles dois indignados cidadãos que apontam o dedo a uma lei totalitária (do “antigamente”), opressora e desrespeitadora dos direitos e liberdades dos fumadores, sem perceberem que onde começam os direitos e liberdades tabágicas acabam os mesmos direitos e liberdades dos não fumadores. Mas nem quero ir por aí...
E assim se forma a opinião pública, que com o passar do tempo começa a ter força de lei. Ou, como querem, a força de mandar abaixo esta lei.
“Eh pá, ó 7 Maldito, mas isto é um blogue de bola, ou o blogue do Dr. Fernando Pádua!? O que é que o cú tem a ver com as calças!?”, perguntam-me os mais ultras de vós. Nada mais simples, leitor atento. Guarde lá esse very-light, que eu explico.
Vejamos: por uma questão de mera proporcionalidade demográfica aplicada à respectiva guilda profissional, deduzimos facilmente que se dos nove milhões de portugueses seis são do SLB (um censo feito no Barbas a um Domingo ao almoço e que não se reflecte em presenças nas bancadas da Luz), então 66,66% dos jornalistas desportivos nacionais são sofredores do Benfica (sim, sofre-se do Benfica como se sofre do joanete ou do bico-de-papagaio). E só este facto explica as verdadeiras aleivosias que diariamente são impressas nos três embrulhos de castanhas que versam sobre futebol. E nos outros também. E nas TV’s. E nas rádios.
Estes doentes têm uma missão: fazer-nos acreditar que o “Glorioso”, apesar de moribundo desde que o Eusébio foi jogar para o União de Tomar (falem-me do Iordanov...), continua Glorioso. Que o “Maior Clube do Mundo”, apesar de ter menos 40 ou 50 milhões de adeptos que os egípcios do Al-Ahly, é o Maior Clube do Mundo. Que o Nuno Gomes, apesar de nem a mulher dar nada por ele, é um ponta-de-lança inegociável, essencial para o Benfica. Que o Cárdozo (sim, dizem sempre com acento no “a”), vale muito mais que os absurdos nove milhões que custou e que todos os clubes ingleses o querem comprar. Que o Luís Filipe Vieira, apesar de não ganhar mais que umas taças no deserto é o melhor presidente da história do clube. E que “O Rui”, para além de ser o melhor jogador português desde Cristiano Ronaldo, será o único digno sucessor de Vieira no trono presidencial desse castelo de cartas chamado Sport Lisboa e Benfica. E que as acções da SAD, com mais ou menos manobras orquestradas com o Comendador Berardo, valem mais que petróleo. Eles fazem-nos acreditar que quando o Benfica perde, foram os adversários que fizeram uma exibição transcendental. Porque o Benfica (como temos visto) nunca joga mal. E eles rebolam de prazer quando, durante a transmissão do Portugal – Itália, repetem cinco vezes o comentário “Cassetti, que marcou um grande golo em Alvalade a contar para a Champions”.
O pior é que, tal como vos disse, o povo emprenha facilmente de ouvido. Só assim se explica o fenómeno entroncamental de haver tanta gente a acreditar nestas patranhas. Gente que a cada jornada começa a suspeitar que algo não bate certo. Mas que na manhã seguinte compra o desportivo, folheia e constata que afinal está tudo bem, rapidamente voltando ao seu transe induzido.
Permitam-me a pergunta: o que é que esta malta anda a fumar?
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Procuram-se Estofadores
Nesta jornada os grandes de Lisboa inverteram os papéis, o Benfica empatou em casa e o Belenenses ganhou naturalmente um dos jogos mais fáceis do campeonato.
Com este empate o Benfica bateu no fundo, uma queda que é quase tão desprestigiante como um 4º lugar e que põe o Glorioso numa das situações mais vergonhosas do seu historial: somos neste momento uma réplica à escala de 1-1000 do SCP. Senão vejam, nesta jornada Camacho revelou que só há um aspecto onde é ligeiramente melhor que Paulinho Bento: o penteado; a equipa demonstrou que soluça tanto como Soares Franco; Luís Filipe mostrou porque é que foi o 1º jogador a marcar no WC XXI, é porque é oficialmente o pior jogador da história do futebol português; Nélson mostrou que vai à mesma cabelereira que os jogadores do Sporting; Petit está tão lento como o Bundão Veloso; Di Maria é tão pipi como o Romagnoli; insistir em colocar o Maxi-Pereira a médio direito faz tão pouco sentido como dizer que o Ronny e o Farnerud são jogadores de futebol; as bancadas da Luz estão tão vazias como os cofres de Alvalade; etc.
É verdade, o Benfica precisa de um treinador, de defesas laterais, de um trinco, de um extremo direito e de um avançado que facture. É que se o Benfica queria ser campeão, no sábado a equipa demonstrou que para alcançar esse objectivo ainda lhe falta muito estofo.
Com este empate o Benfica bateu no fundo, uma queda que é quase tão desprestigiante como um 4º lugar e que põe o Glorioso numa das situações mais vergonhosas do seu historial: somos neste momento uma réplica à escala de 1-1000 do SCP. Senão vejam, nesta jornada Camacho revelou que só há um aspecto onde é ligeiramente melhor que Paulinho Bento: o penteado; a equipa demonstrou que soluça tanto como Soares Franco; Luís Filipe mostrou porque é que foi o 1º jogador a marcar no WC XXI, é porque é oficialmente o pior jogador da história do futebol português; Nélson mostrou que vai à mesma cabelereira que os jogadores do Sporting; Petit está tão lento como o Bundão Veloso; Di Maria é tão pipi como o Romagnoli; insistir em colocar o Maxi-Pereira a médio direito faz tão pouco sentido como dizer que o Ronny e o Farnerud são jogadores de futebol; as bancadas da Luz estão tão vazias como os cofres de Alvalade; etc.
É verdade, o Benfica precisa de um treinador, de defesas laterais, de um trinco, de um extremo direito e de um avançado que facture. É que se o Benfica queria ser campeão, no sábado a equipa demonstrou que para alcançar esse objectivo ainda lhe falta muito estofo.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
A angústia do blogger no momento do post
Até à data da fundação deste blogue, eu era apenas mais um pacato cidadão amante de futebol, que aguardava com a serenidade possível o desfecho de cada jornada. O pior que me podia acontecer era aturar um ou outro "brumelho" no local de trabalho na segunda de manhã. Mas desde que me meti nesta empreitada com o meu camarada Homem da Luz que tudo isso mudou. Agora tenho responsabilidades acrescidas. Todas as manhãs tenho unidades e unidades de leitores fieis à espera de um post. À espera de uma graçola, de uma bicada no vizinho ou apenas de uma saída em falso que lhes permita o contra-ataque letal. Em suma, à espera que eu escreva qualquer coisa.
Daí que os meus fins-de-semana futebolísticos já não sejam o que eram. Em vez de me limitar a ver os jogos e fazer as respectivas contas no fim, passo Sábado e Domingo a pensar naquilo que vou escrever. E como as coisas andam, meus amigos, acreditem que em 24 horas penso em muita coisa.
O Benfica joga miseravelmente, empata e sai debaixo da ventania causada pelos lenços brancos e logo me assomam várias hipóteses de post à cabeça. Começo a rabiscar. Corrijo. Troco. Acrescento. Concluo. Sorrio.
Debalde. Porque ainda falta o mais difícil, o jogo do meu Sporting. Nesta época já percebemos que as partidas do meu clube são como os Insólitos Yorn: "tudo pode acontecer!". A cada minuto de jogo que passa a angústia aumenta. É tudo tão mau que até gozar com o rival deixa de fazer sentido. Como o Sporting, não tenho ideias. Arrasto-me para o teclado qual Romagnoli e nada me sai bem, qual Veloso. As piadas saem-me ao lado como remates do Liedson e sinto-me desorientado como um Tiuí (quem!?).
Prosseguir com este blogue numa época como esta começa a tornar-se um exercício de puro masoquismo. Começo a apresentar sintomas de depressão. Por isso, se um destes dias lerem no Correio da Manhã que apareceu em Alcochete um homem enforcado num sobreiro, não é o Paulo Bento. É O 7 Maldito.
Daí que os meus fins-de-semana futebolísticos já não sejam o que eram. Em vez de me limitar a ver os jogos e fazer as respectivas contas no fim, passo Sábado e Domingo a pensar naquilo que vou escrever. E como as coisas andam, meus amigos, acreditem que em 24 horas penso em muita coisa.
O Benfica joga miseravelmente, empata e sai debaixo da ventania causada pelos lenços brancos e logo me assomam várias hipóteses de post à cabeça. Começo a rabiscar. Corrijo. Troco. Acrescento. Concluo. Sorrio.
Debalde. Porque ainda falta o mais difícil, o jogo do meu Sporting. Nesta época já percebemos que as partidas do meu clube são como os Insólitos Yorn: "tudo pode acontecer!". A cada minuto de jogo que passa a angústia aumenta. É tudo tão mau que até gozar com o rival deixa de fazer sentido. Como o Sporting, não tenho ideias. Arrasto-me para o teclado qual Romagnoli e nada me sai bem, qual Veloso. As piadas saem-me ao lado como remates do Liedson e sinto-me desorientado como um Tiuí (quem!?).
Prosseguir com este blogue numa época como esta começa a tornar-se um exercício de puro masoquismo. Começo a apresentar sintomas de depressão. Por isso, se um destes dias lerem no Correio da Manhã que apareceu em Alcochete um homem enforcado num sobreiro, não é o Paulo Bento. É O 7 Maldito.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
22 de Março - Programa
Sportinguistas:
9h30: Alvorada
10h00: Higiene matinal seguida de pequeno almoço
11h00: Consulta online dos jornais desportivos e do Impróprio Para Cardíacos
12h00: Abastecimento da viatura. Partida na direcção Sul, podendo optar pela Ponte 25 de Abril ou Vasco da Gama. Passagem de cassetes com os mais recentes êxitos de Maria José Valério (edição Polygram de 1978)
13h30: Paragem para almoço em Alcácer do Sal ou outra opção mais do agrado de cada um (evitando Setúbal)
15h00: Continuação da jornada via A2
16h30: Saír da A2 na direcção Faro e daí para São João da Venda
17h00: Chegada ao Estádio do Algarve. Estacionamento
17h15: Tempo livre até ao início da Final da Carlsberg Cup, entre Sporting Clube de Portugal e Vitória Futebol Clube. Comes e bebes. Oportunidade para salutar convívio com adeptos leoninos de outras proveniências.
19h00: Início da partida
22h00: Regresso a Lisboa (ou outros destinos) em caravana, seguindo o autocarro leonino que transporta equipa, corpo técnico e Troféu recentemente conquistado.
01h00: Encontro com a população lisboeta no Marquês de Pombal
02h00: Madrugada de festejos de acordo com a vontade de cada um
07h00: Final do programa proposto
Benfiquistas:
Dia livre.
9h30: Alvorada
10h00: Higiene matinal seguida de pequeno almoço
11h00: Consulta online dos jornais desportivos e do Impróprio Para Cardíacos
12h00: Abastecimento da viatura. Partida na direcção Sul, podendo optar pela Ponte 25 de Abril ou Vasco da Gama. Passagem de cassetes com os mais recentes êxitos de Maria José Valério (edição Polygram de 1978)
13h30: Paragem para almoço em Alcácer do Sal ou outra opção mais do agrado de cada um (evitando Setúbal)
15h00: Continuação da jornada via A2
16h30: Saír da A2 na direcção Faro e daí para São João da Venda
17h00: Chegada ao Estádio do Algarve. Estacionamento
17h15: Tempo livre até ao início da Final da Carlsberg Cup, entre Sporting Clube de Portugal e Vitória Futebol Clube. Comes e bebes. Oportunidade para salutar convívio com adeptos leoninos de outras proveniências.
19h00: Início da partida
22h00: Regresso a Lisboa (ou outros destinos) em caravana, seguindo o autocarro leonino que transporta equipa, corpo técnico e Troféu recentemente conquistado.
01h00: Encontro com a população lisboeta no Marquês de Pombal
02h00: Madrugada de festejos de acordo com a vontade de cada um
07h00: Final do programa proposto
Benfiquistas:
Dia livre.
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Ode a Paulo Bento
Amigo Paulo Bento, este texto serve para o incentivar e dar ânimo a continuar o excelente trabalho que tem desenvolvido à frente de uma das instituições mais difíceis de gerir no país, a par do BCP, da Câmara de Lisboa e do próprio país.
Soube através dos jornais que ontem voltou a ser assobiado e insultado pela massa associativa leonina e, como seu admirador, fiquei desiludido.Queria pedir-lhe para manter a dranguilidade e não se demitir do seu cargo, nem agora nem no final da época. É verdade que foi mais uma situação muito desagradável, mas já se sabe que no Museu de Azulejos para Daltónicos XXI as pessoas são mais educadas que as restantes e, por isso, agem assim. Veja por exemplo o caso das bancadas da nossa digníssima Assembleia da República, também composta por gente educada e bem formada, onde o chavascal é bem pior. Ou veja por exemplo o caso deste humilde blog, onde os adeptos leoninos fazem comentários com recurso constante às técnicas literárias do Bairro do Fim do Mundo, de Chelas e de Carolina Salgado. Tal como os deputados, os adeptos leoninos só utilizam este tipo de palavreado e atitudes para se aproximarem de nós, o povo, os pobres, as gentes de pouca educação mas de muito calo na mão. Acredite Mister que eles não o fazem por mal, aliás o mal é coisa que estas criaturas são incapazes de produzir, como também poderá ver nos comentários deixados nos últimos textos.
Pensando friamente nos motivos que motivaram os insultos que o aborreceram, eles não fazem nenhum sentido e só provam que os adeptos leoninos não percebem nada de futebol. Substituir o Ronny pelo Farnerud é uma substituição de uma coerência táctica extraordinária. Refresca a equipa e faz com que ela continue a jogar com a mesma disposição em campo, ou seja, como se tivesse um jogador a menos. É brilhante!
Mister, eu lembro-me perfeitamente que quando estava no Guimarães e soube que ia assinar pelo Benfica, ligou ao seu pai comovido e chorou ao telefone de emoção. Mister, eu sei que é tão benfiquista como eu e, por isso, tem emoções maduras, profundas e doces, ao contrário das pessoas que são verdes, duras e amargas. É também por isso que os adeptos o insultam e vaiam constantemente, eles fazem isso com todos os benfiquistas, acredite que não é só consigo. Lembre-se que na grande maioria eles nem sequer se assumem como sportinguistas, mas sim como anti-benfiquistas.
Mister, eu sofro de bronquite asmática desde pequenino e por isso tolero mal cheiros fortes e intensos. Apesar disso, não vai ser o desagradável bafo a Whisky velho que me vai tirar do lado do Presidente Soares Franco no apoio que este lhe dá. Sei que por esses lados o apoio já não é muito, mas acredite que para além do seu Presidente e do seu admirador Homem da Luz, há pelo menos mais 6 milhões de portugueses que estão consigo. Força Mister e continue o bom trabalho!
Soube através dos jornais que ontem voltou a ser assobiado e insultado pela massa associativa leonina e, como seu admirador, fiquei desiludido.Queria pedir-lhe para manter a dranguilidade e não se demitir do seu cargo, nem agora nem no final da época. É verdade que foi mais uma situação muito desagradável, mas já se sabe que no Museu de Azulejos para Daltónicos XXI as pessoas são mais educadas que as restantes e, por isso, agem assim. Veja por exemplo o caso das bancadas da nossa digníssima Assembleia da República, também composta por gente educada e bem formada, onde o chavascal é bem pior. Ou veja por exemplo o caso deste humilde blog, onde os adeptos leoninos fazem comentários com recurso constante às técnicas literárias do Bairro do Fim do Mundo, de Chelas e de Carolina Salgado. Tal como os deputados, os adeptos leoninos só utilizam este tipo de palavreado e atitudes para se aproximarem de nós, o povo, os pobres, as gentes de pouca educação mas de muito calo na mão. Acredite Mister que eles não o fazem por mal, aliás o mal é coisa que estas criaturas são incapazes de produzir, como também poderá ver nos comentários deixados nos últimos textos.
Pensando friamente nos motivos que motivaram os insultos que o aborreceram, eles não fazem nenhum sentido e só provam que os adeptos leoninos não percebem nada de futebol. Substituir o Ronny pelo Farnerud é uma substituição de uma coerência táctica extraordinária. Refresca a equipa e faz com que ela continue a jogar com a mesma disposição em campo, ou seja, como se tivesse um jogador a menos. É brilhante!
Mister, eu lembro-me perfeitamente que quando estava no Guimarães e soube que ia assinar pelo Benfica, ligou ao seu pai comovido e chorou ao telefone de emoção. Mister, eu sei que é tão benfiquista como eu e, por isso, tem emoções maduras, profundas e doces, ao contrário das pessoas que são verdes, duras e amargas. É também por isso que os adeptos o insultam e vaiam constantemente, eles fazem isso com todos os benfiquistas, acredite que não é só consigo. Lembre-se que na grande maioria eles nem sequer se assumem como sportinguistas, mas sim como anti-benfiquistas.
Mister, eu sofro de bronquite asmática desde pequenino e por isso tolero mal cheiros fortes e intensos. Apesar disso, não vai ser o desagradável bafo a Whisky velho que me vai tirar do lado do Presidente Soares Franco no apoio que este lhe dá. Sei que por esses lados o apoio já não é muito, mas acredite que para além do seu Presidente e do seu admirador Homem da Luz, há pelo menos mais 6 milhões de portugueses que estão consigo. Força Mister e continue o bom trabalho!
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Toma que é Cardozo
Os dois grandes de Lisboa tiveram sortes diferentes esta jornada: O Benfica venceu em Guimarães e o Belenenses empatou em Braga. A vitória do Glorioso tem um sabor especial pela excelente exibição da equipa vimaranense, em especial o homem que comandou a defesa do Vitória anulando praticamente todas as jogadas de ataque do Benfica. Ficam aqui os meus parabéns a mais uma excelente exibição do Sr. João Ferreira que, mais uma vez, tudo fez para que o Benfica não ganhasse. Em profundos delírios à laia do Ministro da Saúde, o árbitro deu um amarelo para Rui Costa após ter sido barbaramente agredido por Flávio Meireles numa entrada já baptizada por “entrada à Liedson” (mais uma vez agradeço a exclusividade dos processos sumaríssimos a atletas do Benfica, parece-me equilibrado); Cardozo seguia isolado para a baliza e árbitro marca fora-de-jogo que o fiscal não assinalou; uma jogada à Stojkovic no Dragão mas desta vez o árbitro fingiu que não viu; marcou falta atacante em quase todas as jogadas do Benfica, excepto em duas que resultaram em belíssimos golos, etc., etc, etc
No jogo que opôs o1º e 4º classificados houve duas enormes surpresas, o FCP não goleou a equipa da casa por 2-8 e eu tive uma emoção raríssima num benfiquista do meu calibre. A tareia, baile e banho de bola foi tão grande e esmagador, tão violento e avassalador, que eu pela primeira vez senti, algo que até me envergonha um pouco... (desculpem lá familiares benfiquistas)....mas eu tive muita pena do Sporting. Têm de compreender que aquilo era uma luta desigual, aquilo não foi um jogo de futebol, foi um massacre e, pronto, deu-me muita pena ver aquilo. Só para terem uma ideia do desequilíbrio entre as duas equipas, o Sporting na 2ª parte só fez 1(!!!!!) remate à baliza do FCP e foi já nos descontos! Para aumentar a tristeza ainda vi um golo em fora-de-jogo e duas agressões violentas não serem punidas com expulsão. Ter árbitros ao nível da equipa do Sporting também dá pena, não dá? Tal como no jogo em Guimarães, o campo de Alvalade também parecia estar inclinado. Porém penso que neste caso se deva mais à presença de um atleta leonino a quem o seleccionador nacional se referiu como “O bunda grande, está gordo que nem um Tatu!”. De facto, no final do jogo quando Miguel Vaidoso trocou de camisola com um atleta do FCP e ficou de tronco nú e com a camisola portista à cintura, parecia mesmo o Obélix (e não, não é só pelas suas belíssimas tranças). Acho que a megalomania crónica leonina irá acrescentar ao auto-proclamado título de “melhor escola de futebol do mundo” os títulos de “melhor escola do mundo em lançamento de menir” e “melhor escola do mundo a assar javalis no espeto.”
Mas no grande jogo da jornada, talvez o melhor do campeonato até ao momento, o Benfica ganhou com 3 limpos e lindos golos. O 1º deveria até se ter tornado tema de debate nacional porque nos remete para um perigo iminente: uma invasão norte-americana. É que aquele pontapé de Cardozo se chega ao conhecimento do Bush, vai ser considerado uma arma de destruição massiva. Lembrem-se que exército americano destruiu um país, matou milhares de homens, mulheres e crianças inocentes, por armas bem menos potentes e de muito menor alcance que o remate do Tacuara (para ser mais preciso as armas apreendidas no Iraque pelos americanos foram 3 fisgas, 327 corta unhas, 34 fundas à David, 27 bisnagas e um número incalculável de poços de petróleo).
Se o Benfica continua a jogar com a alma com que jogou no Sábado, se continuar a defender com tanta garra e a ser tão letal a atacar (sempre que os Srs. árbitros o permitirem, é claro) pode vir o exército americano, os Talibans do FCP ou o Rancho Folclórico de Alcochete mais a sua vaca sagrada da sorte que nós, benfiquistas, vamos continuar a ganhar e a nos despedirmos sempre da mesma maneira: Adeusinho e toma que é Cardozo.
No jogo que opôs o1º e 4º classificados houve duas enormes surpresas, o FCP não goleou a equipa da casa por 2-8 e eu tive uma emoção raríssima num benfiquista do meu calibre. A tareia, baile e banho de bola foi tão grande e esmagador, tão violento e avassalador, que eu pela primeira vez senti, algo que até me envergonha um pouco... (desculpem lá familiares benfiquistas)....mas eu tive muita pena do Sporting. Têm de compreender que aquilo era uma luta desigual, aquilo não foi um jogo de futebol, foi um massacre e, pronto, deu-me muita pena ver aquilo. Só para terem uma ideia do desequilíbrio entre as duas equipas, o Sporting na 2ª parte só fez 1(!!!!!) remate à baliza do FCP e foi já nos descontos! Para aumentar a tristeza ainda vi um golo em fora-de-jogo e duas agressões violentas não serem punidas com expulsão. Ter árbitros ao nível da equipa do Sporting também dá pena, não dá? Tal como no jogo em Guimarães, o campo de Alvalade também parecia estar inclinado. Porém penso que neste caso se deva mais à presença de um atleta leonino a quem o seleccionador nacional se referiu como “O bunda grande, está gordo que nem um Tatu!”. De facto, no final do jogo quando Miguel Vaidoso trocou de camisola com um atleta do FCP e ficou de tronco nú e com a camisola portista à cintura, parecia mesmo o Obélix (e não, não é só pelas suas belíssimas tranças). Acho que a megalomania crónica leonina irá acrescentar ao auto-proclamado título de “melhor escola de futebol do mundo” os títulos de “melhor escola do mundo em lançamento de menir” e “melhor escola do mundo a assar javalis no espeto.”
Mas no grande jogo da jornada, talvez o melhor do campeonato até ao momento, o Benfica ganhou com 3 limpos e lindos golos. O 1º deveria até se ter tornado tema de debate nacional porque nos remete para um perigo iminente: uma invasão norte-americana. É que aquele pontapé de Cardozo se chega ao conhecimento do Bush, vai ser considerado uma arma de destruição massiva. Lembrem-se que exército americano destruiu um país, matou milhares de homens, mulheres e crianças inocentes, por armas bem menos potentes e de muito menor alcance que o remate do Tacuara (para ser mais preciso as armas apreendidas no Iraque pelos americanos foram 3 fisgas, 327 corta unhas, 34 fundas à David, 27 bisnagas e um número incalculável de poços de petróleo).
Se o Benfica continua a jogar com a alma com que jogou no Sábado, se continuar a defender com tanta garra e a ser tão letal a atacar (sempre que os Srs. árbitros o permitirem, é claro) pode vir o exército americano, os Talibans do FCP ou o Rancho Folclórico de Alcochete mais a sua vaca sagrada da sorte que nós, benfiquistas, vamos continuar a ganhar e a nos despedirmos sempre da mesma maneira: Adeusinho e toma que é Cardozo.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
No papo
A verdade verdadinha, meus caros amigos, é que na última jornada do campeonato, quando estivermos lá em cima em igualdade pontual com o FCP, o Sporting terá vantagem no confronto directo. Mai'nada.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
O aborígene
Não conheço nem conheci na minha família ninguém que goste de futebol. Este dado, para além de ser ilucidativo acerca do superior nível de inteligência que aduba a minha árvore genealógica, explica o porquê de eu só ter começado a “ir à bola” lá para os 14 ou 15 anos de idade.
Talvez por morar perto do Estádio da Luz - com quinzenal convívio forçado com as hordas benfiquistas – fiz-me Sportinguista. Depois, uns amigos que moravam à distância de um very-light do velho Alvalade, na Rua Cipriano Dourado (a Faixa de Gaza dos jogos clássicos) convenceram-me a sentar pela primeira vez no cimento duro e frio da escaldante Superior Sul da vetusta arena leonina. E foi aí que tudo começou, sendo que hoje, vinte anos mais tarde, já me sento na central num lugar almofadado.
Lembro com emoção a hora em que desemboquei na bancada. Lembro-me que naquela altura ainda se levavam bandeiras, “claxons” e rolos de papel higiénico. Lembro-me com saudade dos reclames às baterias Tudor, Mako Jeans, Fnac (os ares condicionados do lince, não a loja de cultura a granel), Mabor General, Capri-Sonne e Lubrificantes Castrol. Lembro-me das Queijadas de Sintra que substituiam facilmente betão de secagem rápida. Lembro-me também dos altifalantes anunciarem estridente e solenemente que “o restaurante Curral dos Caprinos oferece um almoço para duas pessoas ao primeiro jogador do Sporting que marcar um golo. Restaurante Curral dos Caprinos: à segunda…chanfana, à terça…leitão de Negrais, à quarta o famoso cozido…”. Depois era esperar para ver se o feliz contemplado com o repasto era o Jorge Plácido ou o Forbs, até porque naquela altura ordenados em atraso estavam tão na moda como cabelos “com roulotte atrás”, pelo que uma chanfanazinha grátis caía sempre bem.
Lembro-me também que foi nesse tempo que comecei a cultivar os meus ódios de estimação. Tenho para mim que este é um tipo de sentimento que só se desenvolve quando amamos muito uma coisa. Por exemplo: por mais perdidamente que eu ame a minha mulher, hei-de odiar sempre aquela mania que ela tem de me pôr as cervejas na prateleira de baixo do frigorifico, substituindo-as pelos supérfluos lacticínios. Como todos sabemos, o lugar da cerveja é lá em cima. Por uma questão de simbolismo hierárquico e porque é lá que está mais frio.
O ódio de estimação acaba por ser um pouco o bode espiatório de todo e qualquer desaire. É aquela almofadinha de conforto que está sempre lá quando é preciso culpar alguém, quando é preciso soltar a tensão sob a forma de um insulto.
O meu primeiro ódio de estimação dava pelo nome de Lima. O jovem era ruivinho e tinha uma técnica individual acima da média. Mas bem feitas as contas era uma perfeita nulidade, confirmada num jogo contra o FCP em que conseguiu falhar dois golos de baliza aberta. Entretanto desapareceu sem deixar saudade, reaparecendo recentemente sob a forma de treinador das camadas jovens, onde, como qualquer treinador, ganhou um segundo nome. Hoje ele é Lima, José Lima.
Depois do Lima, veio o inenarrável Cadete. Não vale a pena estar aqui a submeter-vos ao exasperante exercício de recordar os históricos falhanços de Jorge. No entanto, lá longe no norte das Ilhas Britânicas, uma tribo remota não concordava comigo e tomou-se de amores pelos seus longos cabelos e curtos neurónios. Cantaram-lhe hossanas e ainda hoje o recordam como um herói, um facto apenas explicável pelas invejáveis quantidades de uísque que ingerem antes de entrar no estádio.
Seguiram-se, contra a opinião da maioria dos meus consócios, os capitães Beto e Sá Pinto. O primeiro nunca me enganou. Como diz um amigo meu, um tipo que se chama Roberto Severo tem tudo para triunfar no Calcio (… de um a onze: Paolo Maldini, Alessandro Costacurta, Roberto Severo…). Ao optar por um irrelevante Beto, condenou-se a não passar de um Huelva, apesar de - tal como Luisão - todos os verões o Real Madrid o querer contratar. Quanto ao idolatrado Sá, sempre tive para mim que “voluntarioso”, regra geral é um jogador que corre muito e atrapalha ainda mais. Se ama assim tanto o Sporting como dizem, que se venha sentar ao meu lado na bancada, onde aliás também se senta desde a inauguração do estádio o ex-capitão benfiquista Veloso (a quantidade de cervejas que já lhe paguei à pala daquele penalty, eheheh…g’anda Veloso!). Mais recentemente foram Custódio e Rodrigo Tello a ocupar este desonroso pódio. Ao trinco chamei rapidamente “jogador caranguejo”, pois só jogava para o lado. Era um a menos. Quanto ao chileno…nem encontro as palavras certas para o descrever. Custou uma fortuna e veio rotulado de melhor ala sul-americano. Acabou como sofrível defesa-esquerdo, horrível a defender e péssimo a atacar. Hoje anda a enganar turcos, mas pelo menos foi para lá de borla, o que minimiza o dano.
Chegados à temporada 2007/2008, o lugar ainda está em aberto. Candidatos não faltam: Purovic, Stojkovic e Farnerud travam uma guerra sem quartel para garantir a posição. Mas lá à frente bem destacado corre Ronny, “o aborígene”. A sua capacidade técnica mede-se a cada vez que toca na bola. O seu QI mede-se num simples olhar. Aquele olhar vazio, perdido. O vácuo cerebral. Em que é que ele estará a pensar quando estende o tapete vermelho aos Sougous, Matheus e Wenders da vida, quando abate dois pombos-correio na cobrança de um pontapé de canto ou quando induz em coma profundo um pastor alemão da PSP ao tentar converter um livre directo? Em que pensas tu Ronny?
Domingo a partir das 20 horas, Ronny vai encontrar pela frente um jogador hiper-talentoso, acossado pelos assobios dos seus, galvanizado pelos nossos e ainda mais motivado por novo aumento salarial (consta que passará a auferir 8 Renaults Traffic brancas/mês). Irá "o aborígene" garantir desde já um lugar nesta minha odiosa galeria, ou vai apenas adiar a decisão por mais umas jornadas?
Estarei lá para ver.
Talvez por morar perto do Estádio da Luz - com quinzenal convívio forçado com as hordas benfiquistas – fiz-me Sportinguista. Depois, uns amigos que moravam à distância de um very-light do velho Alvalade, na Rua Cipriano Dourado (a Faixa de Gaza dos jogos clássicos) convenceram-me a sentar pela primeira vez no cimento duro e frio da escaldante Superior Sul da vetusta arena leonina. E foi aí que tudo começou, sendo que hoje, vinte anos mais tarde, já me sento na central num lugar almofadado.
Lembro com emoção a hora em que desemboquei na bancada. Lembro-me que naquela altura ainda se levavam bandeiras, “claxons” e rolos de papel higiénico. Lembro-me com saudade dos reclames às baterias Tudor, Mako Jeans, Fnac (os ares condicionados do lince, não a loja de cultura a granel), Mabor General, Capri-Sonne e Lubrificantes Castrol. Lembro-me das Queijadas de Sintra que substituiam facilmente betão de secagem rápida. Lembro-me também dos altifalantes anunciarem estridente e solenemente que “o restaurante Curral dos Caprinos oferece um almoço para duas pessoas ao primeiro jogador do Sporting que marcar um golo. Restaurante Curral dos Caprinos: à segunda…chanfana, à terça…leitão de Negrais, à quarta o famoso cozido…”. Depois era esperar para ver se o feliz contemplado com o repasto era o Jorge Plácido ou o Forbs, até porque naquela altura ordenados em atraso estavam tão na moda como cabelos “com roulotte atrás”, pelo que uma chanfanazinha grátis caía sempre bem.
Lembro-me também que foi nesse tempo que comecei a cultivar os meus ódios de estimação. Tenho para mim que este é um tipo de sentimento que só se desenvolve quando amamos muito uma coisa. Por exemplo: por mais perdidamente que eu ame a minha mulher, hei-de odiar sempre aquela mania que ela tem de me pôr as cervejas na prateleira de baixo do frigorifico, substituindo-as pelos supérfluos lacticínios. Como todos sabemos, o lugar da cerveja é lá em cima. Por uma questão de simbolismo hierárquico e porque é lá que está mais frio.
O ódio de estimação acaba por ser um pouco o bode espiatório de todo e qualquer desaire. É aquela almofadinha de conforto que está sempre lá quando é preciso culpar alguém, quando é preciso soltar a tensão sob a forma de um insulto.
O meu primeiro ódio de estimação dava pelo nome de Lima. O jovem era ruivinho e tinha uma técnica individual acima da média. Mas bem feitas as contas era uma perfeita nulidade, confirmada num jogo contra o FCP em que conseguiu falhar dois golos de baliza aberta. Entretanto desapareceu sem deixar saudade, reaparecendo recentemente sob a forma de treinador das camadas jovens, onde, como qualquer treinador, ganhou um segundo nome. Hoje ele é Lima, José Lima.
Depois do Lima, veio o inenarrável Cadete. Não vale a pena estar aqui a submeter-vos ao exasperante exercício de recordar os históricos falhanços de Jorge. No entanto, lá longe no norte das Ilhas Britânicas, uma tribo remota não concordava comigo e tomou-se de amores pelos seus longos cabelos e curtos neurónios. Cantaram-lhe hossanas e ainda hoje o recordam como um herói, um facto apenas explicável pelas invejáveis quantidades de uísque que ingerem antes de entrar no estádio.
Seguiram-se, contra a opinião da maioria dos meus consócios, os capitães Beto e Sá Pinto. O primeiro nunca me enganou. Como diz um amigo meu, um tipo que se chama Roberto Severo tem tudo para triunfar no Calcio (… de um a onze: Paolo Maldini, Alessandro Costacurta, Roberto Severo…). Ao optar por um irrelevante Beto, condenou-se a não passar de um Huelva, apesar de - tal como Luisão - todos os verões o Real Madrid o querer contratar. Quanto ao idolatrado Sá, sempre tive para mim que “voluntarioso”, regra geral é um jogador que corre muito e atrapalha ainda mais. Se ama assim tanto o Sporting como dizem, que se venha sentar ao meu lado na bancada, onde aliás também se senta desde a inauguração do estádio o ex-capitão benfiquista Veloso (a quantidade de cervejas que já lhe paguei à pala daquele penalty, eheheh…g’anda Veloso!). Mais recentemente foram Custódio e Rodrigo Tello a ocupar este desonroso pódio. Ao trinco chamei rapidamente “jogador caranguejo”, pois só jogava para o lado. Era um a menos. Quanto ao chileno…nem encontro as palavras certas para o descrever. Custou uma fortuna e veio rotulado de melhor ala sul-americano. Acabou como sofrível defesa-esquerdo, horrível a defender e péssimo a atacar. Hoje anda a enganar turcos, mas pelo menos foi para lá de borla, o que minimiza o dano.
Chegados à temporada 2007/2008, o lugar ainda está em aberto. Candidatos não faltam: Purovic, Stojkovic e Farnerud travam uma guerra sem quartel para garantir a posição. Mas lá à frente bem destacado corre Ronny, “o aborígene”. A sua capacidade técnica mede-se a cada vez que toca na bola. O seu QI mede-se num simples olhar. Aquele olhar vazio, perdido. O vácuo cerebral. Em que é que ele estará a pensar quando estende o tapete vermelho aos Sougous, Matheus e Wenders da vida, quando abate dois pombos-correio na cobrança de um pontapé de canto ou quando induz em coma profundo um pastor alemão da PSP ao tentar converter um livre directo? Em que pensas tu Ronny?
Domingo a partir das 20 horas, Ronny vai encontrar pela frente um jogador hiper-talentoso, acossado pelos assobios dos seus, galvanizado pelos nossos e ainda mais motivado por novo aumento salarial (consta que passará a auferir 8 Renaults Traffic brancas/mês). Irá "o aborígene" garantir desde já um lugar nesta minha odiosa galeria, ou vai apenas adiar a decisão por mais umas jornadas?
Estarei lá para ver.
terça-feira, 22 de janeiro de 2008
Desconto de tempo
Há semanas em que nem o futebol nos consegue fazer rir. Para os autores deste blogue, esta é uma delas. Por isso, pedimos a vossa compreensão se nos próximos dias andarmos um pouco mais arredados dos relvados. Prometemos voltar assim que possível.
Obrigado a todos.
Homem da Luz e O 7 Maldito
Obrigado a todos.
Homem da Luz e O 7 Maldito
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